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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Como funciona o amor

por Lee Obringer* - traduzido por HowStuffWorks Brasil
INTRODUÇÃO
Se você já se apaixonou alguma vez, provavelmente chegou a pensar em classificar esse sentimento como um vício. E adivinhe só: você estava certo. Os cientistas estão descobrindo que o mesmo processo químico que ocorre nos viciados, ocorre quando nos apaixonamos por alguém.
O amor é um estado mental químico que faz parte de nossos genes e é influenciado pela nossa criação. Somos loucos por romance, em parte porque temos que ser pais amorosos que cuidam com muito carinho de nossos bebês desprotegidos.
Neste artigo, descobriremos o que é realmente o amor e o que acontece em nossos corpos que faz com que nos apaixonemos - e mantém-nos apaixonados. Também descobriremos o que nos faz sentir atração por alguém. É por causa dos feromônios, ou a pessoa simplesmente se encaixa no nosso “modelo de amor”?

O que é amor?
Imagem cedida por Morgue FileO amor romântico nos estimula e motiva. Ele também é essencial para a continuidade de nossa espécie. Sem os laços do amor romântico, viveríamos em uma sociedade completamente diferente, que lembraria uma sociedade primitiva, dos animais (mas não todos). As substâncias químicas que percorrem nosso cérebro quando estamos apaixonados têm várias finalidades, mas seu objetivo primordial é a continuação de nossa espécie. São estas substâncias que nos fazem querer formar famílias e ter filhos. Depois que temos filhos, estas substâncias mudam para nos encorajar a permanecermos juntos e criar as crianças. De certa forma, o amor é apenas um vício químico que existe para que continuemos nos reproduzindo.
Independentemente do país ou da cultura, o amor romântico é muito importante. As maneiras de mostrá-lo variam muito de acordo com a cultura, mas ninguém discute a existência do amor.
O que faz com que nos apaixonemos por alguém?

O que faz com que nos apaixonemos?
Todos temos um modelo de parceiro ideal escondido em algum lugar de nosso subconsciente. É esse modelo de amor que vai decidir qual pessoa, em uma multidão, vai chamar nossa atenção. Mas como se forma esse modelo?
Aparência-Muitos pesquisadores defendem que temos tendência a procurar parceiros do sexo oposto parecidos com nossos pais. Alguns acreditam até que somos atraídos por pessoas parecidas conosco. De fato, o psicólogo cognitivo David Perrett, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, realizou uma experiência onde manipulava fotos do rosto de cada indivíduo, transformando-o em um rosto do sexo oposto. Então, ele pediu para que o indivíduo selecionasse, em uma série de fotos, qual achava mais atraente. Segundo o Dr. Perrett, as pessoas que participaram da experiência sempre preferiam a versão manipulada de seu próprio rosto e não reconheciam-na como sua.
Personalidade-Assim como acontece em relação à aparência, tendemos a preferir aqueles que lembram nossos pais ou outras pessoas próximas de nós durante a infância, por causa da personalidade, senso de humor, gostos etc.
Feromônios-A questão dos feromônios humanos ainda é importante no campo da pesquisa do amor. A palavra “feromônio” vem das palavras gregas phéro e hormôn, que juntas significam "trazer excitação".
No mundo animal, os feromônios são “marcas” olfativas individuais encontradas na urina e no suor, que ditam o regulamento sexual e atraem o sexo oposto. Eles ajudam os animais a identificarem-se e escolher um parceiro com sistema imunológico suficientemente diferente do seu para garantir que a descendência seja resistente. Os animais têm um órgão especial no nariz chamado órgão vomeronasal (em inglês) ou OVN, que detecta esse elemento químico inodoro.
A existência dos feromônios humanos foi descoberta em 1986 pelos cientistas do Chemical Senses Center, na Filadélfia, assim como sua contraparte na França. Eles encontraram essa substância no suor humano. Um OVN humano também foi encontrado em algumas pessoas, mas não em todas. Mesmo que o OVN não esteja presente em todos nós, ou que não esteja funcionando naqueles que o têm, há evidências de que o cheiro é um aspecto importante para o amor. Repare na grande variedade de perfumes vendidos nas lojas. Foi realizada uma experiência onde um grupo de mulheres cheirou as camisetas sujas de um grupo de homens, e cada uma teve que escolher por qual delas se sentia mais “atraída”. Assim como no mundo dos animais, a maioria das fêmeas escolheu a camiseta do homem cujo sistema imunológico era mais diferente do seu.

Olhando nos olhos
O Professor Arthur Aron, da Universidade do Estado de Nova York, em Stonybrook, estudou o que acontece quando as pessoas se apaixonam e descobriu que olhar nos olhos da outra pessoa tem um grande impacto.
Em uma experiência, o Professor Aron colocou desconhecidos de sexos opostos juntos por 90 minutos e pediu que eles conversassem sobre detalhes íntimos. Ele então pediu que eles olhassem nos olhos uns dos outros por 4 minutos, sem falar. Os resultados? Muitos participantes sentiram atração por seus parceiros após a experiência, e dois acabaram se casando 6 meses depois.

Afrodisíacos
De acordo com a FDA, Food and Drug Administration (em inglês), os afrodisíacos são baseados em "folclore, não em fatos". Ainda assim, as pessoas continuam acreditando nos efeitos incentivadores de alguns alimentos, ervas e extratos. Há vários afrodisíacos, e eles podem ou não afetar sua vida amorosa. O Discovery Health (em inglês) listou algumas dessas substâncias:
aspargo: acredita-se que a vitamina E do vegetal estimule os hormônios sexuais;
pimenta vermelha: pesquisadores afirmam que comer pimenta vermelha faz com que liberemos endorfinas, que podem levar a "outras coisas";
chocolate: este alimento, que faz muito sucesso no Dia dos Namorados, contém feniletilamina, um dos elementos químicos que nosso corpo produz naturalmente quando estamos apaixonados (veja a química do amor).
ostras: as ostras contêm altos níveis de zinco, que aumentam a produção de testosterona. A testosterona aumenta a libido em ambos os sexos. Outros afrodisíacos são o Ginco, a Cantárida e a Damiana (fitoterápico utilizado como digestivo, energizante e diurético).
Supõe-se que estas substâncias servem mais para aumentar o desejo sexual ou melhorar a habilidade sexual masculina do que para atrair um parceiro. Mas se você está estimulando hormônios que aumentam o interesse sexual, é mais provável que conheça alguém e se apaixone. E mesmo que estes afrodisíacos não funcionem, algumas pessoas dizem que se você pensar que eles vão funcionar, já é meio caminho andado.

Tipos/fases do amor: desejo e atração
Há 3 tipos ou fases diferentes de "amor":
desejo ou paixão erótica;
atração ou paixão romântica;
união ou compromisso.
Quando estas 3 fases ocorrem com a mesma pessoa, vocês têm uma ligação muito forte. Algumas vezes a pessoa que desejamos não é aquela por quem realmente estamos apaixonados.
Desejo-Quando somos adolescentes, logo após a puberdade, o estrogênio e a testosterona ficam ativos em nossos corpos pela primeira vez e criam o desejo de experimentar o "amor". Esse desejo, também conhecido como luxúria, é muito importante não apenas na puberdade, mas durante toda a vida. De acordo com um artigo de Lisa Diamond, chamado "Amor e Desejo Sexual" (Current Directions in Psychological Science, vol. 13, nº 3), o desejo e o amor romântico são coisas diferentes, causadas por fundamentos diferentes. O desejo desenvolveu-se com o propósito da união sexual, enquanto o amor romântico desenvolveu-se pela necessidade de laços para a criação dos filhos. Então, ainda que tenhamos desejo sexual por nossos parceiros românticos, há vezes em que não temos, e não há problema nenhum nisso. Ou, talvez, tenhamos desejo por nosso parceiro e por outras pessoas. Segundo a Dra. Diamond, isso é normal.
O sexólogo John Money estabeleceu o limite entre amor e desejo: "O amor existe acima da cintura, o desejo, abaixo. O amor é lírico. O desejo é obsceno."
Feromônios, aparência e nossa própria idéia do que buscamos em um parceiro também são fatores importantes para definir nossos desejos. Sem desejo, talvez nunca encontremos aquela pessoa especial. Mas, se por um lado, é o desejo que nos faz "procurar", é a nossa necessidade de romance que nos leva à atração.
Atração-Os sentimentos iniciais podem vir ou não do desejo, mas o que acontece se o relacionamento progredir é a atração. Quando a atração ou a paixão romântica entra em cena, é comum perdermos nossa capacidade de pensar racionalmente, pelo menos no que diz respeito à pessoa pela qual estamos atraídos. O velho ditado "o amor é cego" aplica-se a este estágio. Fazemos vista grossa a todos os defeitos dos nossos parceiros. Nós os idealizamos e não conseguimos tirá-los da cabeça. Essa devastadora preocupação e impulsividade fazem parte da nossa biologia. Vamos entender mais sobre os elementos químicos envolvidos na atração em A química do amor. Nesse estágio, os parceiros passam muitas horas se conhecendo. Se a atração continuar forte, eles geralmente entram no terceiro estágio: a união.

Tipos/fases do amor: união
A fase da união ou compromisso é o amor que dura. Vocês já passaram da fase do amor fantasioso e estão entrando no amor real. Esta fase do amor tem que ser muito forte para suportar uma série de desafios e problemas. Estudos da pesquisadora Ellen Berscheid e seus colegas da Universidade de Minnesota mostram que quanto mais idealizamos a pessoa amada, mais forte é o relacionamento durante o estágio da união.
Psicólogos da Universidade do Texas, em Austin, também chegaram a essa conclusão. Eles descobriram que a idealização existe para manter as pessoas juntas e felizes em seus casamentos. "Geralmente a pessoa enxerga o parceiro através de um filtro, tornando-a melhor do que realmente é", diz Ted Hudson, que coordenou o estudo. "Pessoas que fazem isso tendem a permanecer em relacionamentos por mais tempo do que as que não fazem ou não conseguem fazer o mesmo".
As substâncias importantes nesta fase são a oxitocina, vasopressina e endorfina, que são liberadas quando fazemos sexo.

A química do amor

Existem várias substâncias químicas correndo em seu sangue e em seu cérebro quando você está apaixonado. Os pesquisadores estão descobrindo, aos poucos, o papel que esses elementos exercem quando nos apaixonamos e quando estamos em relações mais duradouras. É claro que o estrogênio e a testosterona agem na questão sexual. Sem eles, nunca poderíamos nos aventurar no mundo do "amor verdadeiro".
A tontura inicial que surge quando estamos nos apaixonando inclui um aceleramento do coração, rubor na pele e umidade nas mãos. Os pesquisadores afirmam que isso ocorre por causa da dopamina, norepinefrina e feniletilamina que eliminamos. A dopamina é considerada o "elemento químico do prazer", que produz a sensação de felicidade. A norepinefrina é semelhante à adrenalina e causa a aceleração do coração e a excitação. De acordo com Helen Fisher, antropóloga e pesquisadora do amor da Universidade Rutgers, estes dois elementos juntos causam elevação, energia intensa, falta de sono, paixão, perda de apetite e foco único. Ela também afirma que "O corpo humano lança o coquetel do êxtase do amor apenas quando encontramos certas condições e... os homens produzem esse coquetel com mais facilidade, por causa de sua natureza mais visual".

Os pesquisadores estão usando exames de ressonância magnética para analisar o cérebro das pessoas enquanto elas observam a fotografia de quem amam. Segundo Helen Fisher, famosa antropóloga e pesquisadora da Universidade Rutgers, o que eles vêem nessas imagens durante a fase "não-penso-em-outra-coisa" do amor - a fase da atração - é o direcionamento biológico de focar em uma única pessoa. As imagens mostraram um aumento no fluxo de sangue nas áreas do cérebro com altas concentrações de receptores de dopamina, substância associada aos estágios de euforia, paixão e vício. Os altos níveis de dopamina também estão associados à norepinefrina, que aumenta a atenção, memória de curto prazo, hiperatividade, falta de sono e comportamento orientado. Em outras palavras, casais nessa fase se concentram muito no relacionamento e deixam de lado todo o resto.
Outra possível explicação para o foco intenso e a idealização que ocorrem na fase da atração vem dos pesquisadores do University College, em Londres. Eles descobriram que as pessoas apaixonadas têm níveis mais baixos de serotonina e os circuitos nervosos associados à avaliação dos outros são reprimidos. Esses níveis mais baixos de serotonina são os mesmos encontrados em pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, o que pode ser a explicação da obsessão que os apaixonados têm por seus parceiros. Os pesquisadores estão usando exames de ressonância magnética para analisar o cérebro das pessoas enquanto elas observam a fotografia de quem amam. Segundo Helen Fisher, famosa antropóloga e pesquisadora da Universidade Rutgers, o que eles vêem nessas imagens durante a fase "não-penso-em-outra-coisa" do amor - a fase da atração - é o direcionamento biológico de focar em uma única pessoa. As imagens mostraram um aumento no fluxo de sangue nas áreas do cérebro com altas concentrações de receptores de dopamina, substância associada aos estágios de euforia, paixão e vício. Os altos níveis de dopamina também estão associados à norepinefrina, que aumenta a atenção, memória de curto prazo, hiperatividade, falta de sono e comportamento orientado. Em outras palavras, casais nessa fase se concentram muito no relacionamento e deixam de lado todo o resto.
Outra possível explicação para o foco intenso e a idealização que ocorrem na fase da atração vem dos pesquisadores do University College, em Londres. Eles descobriram que as pessoas apaixonadas têm níveis mais baixos de serotonina e os circuitos nervosos associados à avaliação dos outros são reprimidos. Esses níveis mais baixos de serotonina são os mesmos encontrados em pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, o que pode ser a explicação da obsessão que os apaixonados têm por seus parceiros.

União química
No amor romântico, quando duas pessoas fazem sexo, a oxitocina é liberada, o que ajuda a unir os parceiros. Segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, o hormônio oxitocina está "associado à habilidade de manter relacionamentos interpessoais e laços psicológicos saudáveis com outros indivíduos". Quando é eliminada durante o orgasmo, ela começa a criar um laço emocional: quanto mais sexo, mais forte o laço. A oxitocina também está ligada aos laços afetivos entre mãe e filho, nas contrações uterinas durante o parto e na "descida" do leite para amamentação.
Vasopressina, um hormônio antidiurético, é outra substância associada à formação de relacionamentos duradouros e monogâmicos. A Dra. Fisher acredita que a oxitocina e a vasopressina interferem nas reações químicas da dopamina e norepinefrina, o que pode explicar por que o amor romântico se apaga quando o relacionamento se fortalece.
Endorfinas, os analgésicos naturais, também são importantes nos relacionamentos duradouros. Elas produzem uma sensação de bem-estar, incluindo um sentimento de calma, paz e segurança. Assim como a dopamina e a norepinefrina, as endorfinas são eliminadas durante o sexo; elas também são liberadas durante o contato físico, exercícios físicos e outras atividades. De acordo com Michel Odent, do Primal Health Research Center, de Londres, as endorfinas induzem a uma "dependência semelhante à das drogas".


Viciados no amor
Algumas pessoas podem ser viciadas no "barato" do amor. Elas precisam da sensação da dopamina, norepinefrina e feniletilamina, tão parecida com a sensação gerada pelas anfetaminas. Como o corpo adquire uma certa tolerância a essas substâncias, é necessário cada vez mais para dar o "barato". Essas pessoas pulam de relação em relação, sempre em busca de mais.

Felizes para sempre?
E quando aquele sentimento de euforia vai embora? Segundo Ted Huston, da Universidade do Texas, a velocidade em que a paquera evolui geralmente determina o sucesso do relacionamento. O que eles descobriram é que quanto mais longo o tempo de paquera, mais forte será o relacionamento.
Os sentimentos de amor apaixonado acabam enfraquecendo com o passar do tempo. Estudos mostram que o amor apaixonado perde a força rapidamente e praticamente desaparece depois de 2 ou 3 anos. As substâncias responsáveis pelo sentimento de amor (adrenalina, dopamina, norepinefrina, feniletilamina, etc.) definham. De repente, seu parceiro começa a ter defeitos. Você fica se perguntando por que ele mudou. Na verdade, ele provavelmente não mudou nada; é você que agora consegue enxergá-lo racionalmente, sem o filtro dos hormônios do amor cego e apaixonado. Nessa fase, ou a relação é forte o suficiente para durar, ou termina.
Se o relacionamento prossegue, outros elementos químicos entram em cena. As endorfinas, por exemplo, ainda garantem a sensação de bem-estar e segurança. Além disso, a oxitocina ainda é eliminada quando você faz sexo, produzindo sentimentos de satisfação e união. A vasopressina também continua a agir.

Estamos sozinhos no amor?
Apenas 3% dos mamíferos, além da espécie humana, formam relacionamentos "familiares". O arganaz-das-pradarias é um desses animais. Este arganaz se une pela vida toda e prefere passar o tempo com seu parceiro ao invés de encontrar outros arganazes. Alguns chegam ao extremo de evitar arganazes do sexo oposto.
Quando eles têm uma ninhada, o casal trabalha junto para cuidar dos filhotes. Eles passam horas cuidando um do outro ou apenas juntos. Já foram realizados estudos para tentar determinar a diferença química que pode explicar por que o arganaz-das-pradarias forma essa relação monogâmica e vitalícia, enquanto seu parente próximo, o arganaz-das-montanhas, não.
Segundo estudos de Larry Young, pesquisador de relacionamentos sociais da Universidade Emory, o que acontece é que, quando o arganaz-das-pradarias escolhe um parceiro, assim como os humanos, elimina os hormônios oxitocina e vasopressina. Como o arganaz-das-pradarias tem os receptores necessários para esses hormônios localizados no cérebro, na região da recompensa e reforço, ele forma uma união com seu parceiro. Essa união acontece com determinado arganaz com base no cheiro, que é mais ou menos como uma impressão digital. Aumentando ainda mais o reforço, entra a dopamina, que é lançada no centro de recompensa do cérebro quando os parceiros fazem sexo, fazendo com que a experiência seja agradável e eles queiram repetí-la. E graças à oxitocina e à vasopressina, eles querem fazer sexo com aquele mesmo arganaz.
Como o arganaz-das-montanhas não tem os receptores para a oxitocina e vasopressina em seu cérebro, estas substâncias não têm efeito nenhum, e eles continuam trocando de parceiro a cada noite. Fora esses receptores, as duas espécies de arganaz são quase iguais.

Fonte: Lee Obringer. "HowStuffWorks - Como funciona o amor". Publicado em 12 de fevereiro de 2005 (atualizado em 27 de junho de 2008) http://pessoas.hsw.uol.com.br/amor9.htm (30 de julho de 2008)

*Lee Ann Obringer é redatora do HowStuffWorks (EUA) e Bacharel em Jornalismo/Propaganda com ênfase em Marketing pela Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Antes de se juntar à equipe do HowStuffWorks, Lee Ann trabalhou durante 13 anos com marketing, propaganda e comunicação corporativa. Além de escrever para o HowStuffWorks, trabalha como consultora e designer freelancer em comunicações e marketing.

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Reportagem sobre Depressão

16 de julho de 2008

Medicamento veterinário para combater a depressão


A quetamina, um antigo anestésico de uso veterinário, é considerada uma das grandes promessas no tratamento da depressão, embora seu mecanismo de ação no cérebro ainda seja mal compreendido. Um estudo recém-publicado nos Archives of General Psychiatry fornece novas evidências nessa área.

Usando imagens de ressonância magnética, pesquisadores da Universidade de Manchester, Reino Unido, observaram que a droga desativa neurônios do córtex orbitofrontal (na região acima dos olhos), associado a reações somáticas como taquicardia e desconforto estomacal e a sentimentos negativos como culpa e baixa auto-estima.

Embora satisfeitos com o resultado, os cientistas declararam estar surpresos, porque esperavam que a quetamina atuasse predominantemente nas áreas laterais do cérebro, onde a atividade do medicamento foi mínima. O trabalho confirmou evidências anteriores, segundo as quais a quetamina inibe a liberação do neurotransmissor glutamato. Essa, aliás, é a grande diferença do fármaco em relação a outros antidepressivos, que atuam basicamente nos receptores de serotonina. O entusiasmo dos pesquisadores se deve principalmente à ação rápida da droga, que tem início em até 24 horas após a administração. Os tratamentos convencionais podem levar semanas para surtir efeito.

Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro //Julho-2008

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

ESQUIZOFRENIA

ESTE ESTUDO É PARTE DO ARTIGO ESCRITO POR:

Magda de Sá Nunes
Marcela Sevidanes Nogueira Barreto
Núccia Rogéria Gaigher Magalhães


No conjunto de doenças mentais graves, a esquizofrenia, provoca uma modificação profunda e duradoura na personalidade da pessoa com esquizofrenia. O conflito entre mundo real e o fictício gera comportamentos que simplesmente impossibilita o portador de exercer controle sobre tais, causando grande sofrimento para o sofredor mental e todos os envolvidos neste contexto.

Esquizofrenia é uma severa doença multifatorial com complexos sintomas que alteram a estrutura vivencial daquele indivíduo que sofre com este problema, por afetar as emoções, o pensamentos, as percepções e o comportamento, causando prejuízos ocupacionais na relação interpessoal e familiar. A esquizofrenia é uma doença complexa cuja etiologia e cura ainda não são conhecidas. Culturalmente a pessoa que sofre de esquizofrenia surge com o perfil estereotipado do “louco”, um indivíduo que rompeu com as concepções acerca da realidade/normalidade, passando por uma fase de retração social (interpessoal), vivendo o seu “universo paralelo” menosprezando a razão e tornando-se prisioneiro de suas fantasias num mundo fictício.
O surto psicótico refere-se ao momento de perturbação mental que provoca no sofredor mental o rompimento com a realidade, interferindo no processo cognitivo, emocional e social. O surto psicótico manifesta-se com alucinações, delírios e estados de consciência alterados, provocando grande confusão mental e comportamentos agressivos ou inadequados por não haver conexão entre pensamento e emoção. O declínio psicossocial surge como conseqüência quase inevitável após o surto e o paciente tende a uma retração interpessoal cada vez maior.
A esta severa doença o médico e psiquiatra alemão, Emil Kraepelin em 1893 denominou dementia praecox na 4ª edição de seu Tratado de Psiquiatria, diferenciando os pacientes com demência precoce daqueles atingidos pela psicose maníaco depressiva. Segundo Holmes (1997), a demência precoce seria a deterioração intelectual progressiva e irreversível de início precoce.
Em 1908 Eugen Bleuler, psiquiatra suíço, propõe nova forma de entendimento desta doença e em 1911 publica em seu livro o aperfeiçoamento deste conceito substituindo demência precoce pelo termo esquizofrenia (grego schizein: separar; phren: mente, ânimo) que significa cisão da mente, dos pensamentos e sentimentos, comprometendo o comportamento sem ocorrer necessariamente a degradação mental irrecuperável (HOLMES, 1997).

Os conceitos de Kraepelin e Bleuler serviram de base para novas pesquisas, investigações e conseqüente expansão dos conceitos deste transtorno mental com descrição mais elaborada dos sintomas. David Holmes (1997) coloca que ambos acreditavam que o transtorno tinha uma base fisiológica, porém Bleuler também acreditava que os sintomas poderiam ser influenciados por uma base psicológica: "Experiências e eventos psíquicos podem liberar os sintomas, mas não a doença.”

O DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, edição revisada) define a Esquizofrenia como uma perturbação que dura pelo menos 6 (seis) meses e inclui pelo menos 1 (um) mês de sintomas da fase ativa (isto é, dois ou mais dos seguintes: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico, sintomas negativos).

De acordo, com a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento (CID 10), “os transtornos esquizofrênicos, são caracterizados em geral, por distorções do pensamento e da percepção”.

Usualmente, o indivíduo com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade intelectual. A porta de entrada na psicose esquizofrênica é constituída por uma organização caracterial da personalidade, na qual já se adivinham os traços que, ao se agravarem, se tornarão “esquizofrênicos”.
A acentuação das posições de inibição e de rigidez do caráter esquizofrênico conduz a uma série de modificações intra e interpessoais. É antes de tudo, o debilitamento da atividade, que se caracteriza pela “perda de rapidez” do aluno que era bom, seu desinteresse, a incúria, o abandono do trabalho ou as trocas repetidas de emprego. É também a modificação da afetividade. O indivíduo retrai sobre si mesmo, parece indiferente e desatento às alegrias e às tristezas. A hostilidade contra a família é constante. As modificações de caráter chocam o ambiente, pela mudança de um indivíduo que, até então, era taciturno e passivo, e que passa a afirmar sua agressividade opondo-se a tudo e a todos. A família tem então papel importante no processo de reabilitação e reintegração social do portador de esquizofrenia; a principal rede de apoio do portador são família e amigos.

As pessoas que vivem um significativo espaço de tempo durante um estado patológico de ansiedade, podem vir a desenvolver uma patologia muito conhecida da atualidade, que é o "estresse". Segundo Holmes (1997), a resposta de estresse tem dois componentes, um psicológico e outro fisiológico; o primeiro envolve emoções como ansiedade e tensão o segundo envolve mudanças corporais como freqüência cardíaca aumentada, pressão sangüínea e tensão muscular que preparam o indivíduo para uma ação física – lutar ou fugir.
O estresse não provoca a esquizofrenia, mas pode antecipar sua manifestação ou agravar seus sintomas. A intervenção da família do portador pode ajudar a reduzir o impacto dos elementos estressores que costumam servir como desencadeadores de recaídas.
Araújo (1999) citado por EY et al. (1999), afirma que ao eleger o trabalho como categoria analítica, compreende-se o trabalho como sofrimento e de adoecimento mental, tanto quanto outras esferas de construção do sujeito com a infância, ou a família. Desta forma, compreende-se que a vida dos homens embora não se reduza ao trabalho, também não pode ser compreendida na sua ausência.

Segundo Silva Filho (1993) citado por EY et al. (1999), “o trabalho, portanto, comporta relações de identificação, na medida em que se inscrevem marcas na imagem de si e do mundo, que são internalizadas como pertencentes àquele sujeito.”

Zanetti (2007) citado por EY et al. (1999), afirma que cada grupo social define a esquizofrenia de acordo com seus conhecimentos, crenças e ações específicas. A família tem um lugar e uma função central na vida dos portadores de esquizofrenia. A confirmação do diagnóstico e o início da doença constituem alguns dos fatores que geram inúmeras mudanças no contexto familiar. Durante o surto psicótico, é completamente impossível pensar racionalmente. O indivíduo não consegue estabelecer premissas válidas, nem encadear logicamente o raciocínio. Parte de idéias absurdas e chega a conclusões igualmente absurdas, por um caminho confuso e irracional.

O modo como à família interpreta a doença mental de um dos seus membros influencia as práticas de cuidado por ela adotado, e o sucesso na reabilitação depende das relações estabelecidas entre aquele que cuida e o que é cuidado. A esquizofrenia é vista como uma doença, na qual um ambiente familiar não favorável pode colaborar para o seu início ou a recidiva.
Quando a família descobre qual é a enfermidade, em geral lhe falta saber seu significado para ter noção do que de fato está ocorrendo. Ela não tem informação sobre o que sejam as psicoses e resiste em acreditar que este seja o problema enfrentado pelo paciente. Surgem os estereótipos e muitas dúvidas sobre a possibilidade e as formas de controlar a situação e também a respeito de qual seja o tratamento mais adequado.
Este indivíduo que sofre pode estar perfeitamente adaptado, continuar respondendo todas as expectativas sociais e cumprir todas as suas responsabilidades. Ao mesmo tempo, pode-se encontrar um outro indivíduo que, mesmo sendo considerado socialmente desadaptado, excêntrico, diferente, não vivencia neste momento de sua vida, nenhum sofrimento ou mal-estar relevante. O indivíduo consegue lidar com suas aflições intensas encontrando modos de produção que canalizam este mal-estar de forma produtiva e criativa.
Assim, embora o sofrimento psicológico possa levar a desadaptação social e esta possa determinar uma ordem de distúrbio psíquico, não se pode sempre, estabelecer uma relação de causa e efeito entre ambos. O indivíduo irá necessitar do apoio do grupo, no sentido de suporte e facilitação da compreensão dos conteúdos internos que lhe causam o transtorno, o que poderá levá-lo a uma reorganização pessoal quanto a valores, projetos de vida, aprender a conviver com perdas, frustrações e a descobrir outras fontes de gratificação na sua relação com o mundo.


Percebe-se há muito trabalho a ser realizado na área da Saúde Mental. Que ainda precisam ser quebrados muitos paradigmas com relação ao portador de sofrimento mental. Os sintomas característicos de Esquizofrenia envolvem uma faixa de disfunções cognitivas e emocionais que acometem a percepção, o pensamento, a linguagem e a comunicação, o afeto, a fluência e a produtividade do pensamento e do discurso. A Esquizofrenia traz ao paciente um prejuízo tão severo que é capaz de interferir amplamente na capacidade de atender às exigências da vida e da realidade. A compreensão do mundo paralelo em que os portadores mergulham profundamente requer muita paciência de dedicação. Para aquele que tem a esquizofrenia, a aceitação da doença é o primeiro passo para tentar viver uma vida normal.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

· CAETANO, Dorgival. Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p.88-34.


· HOLMES, David S. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001.

· EY, Henry; BERNARD, P.; BRISSET, C. Manual de Psiquiatria. Paris: Masson Editeur, 1999.

· SCAZUFCA, M. Abordagem Familiar em Esquizofrenia. Revista Brasileira de Psiquiatria; [s. l.], [s. n], 2000; 22(1): 1-50.

· ANGERAMI, Valdemar Augusto; CAMON. Psicologia da Saúde. São Paulo: Pioneira, 2000.

· GAIARSA. José Ângelo. A família de que se fala e a família de que se sofre: O livro negro da família, do amor e do sexo. São Paulo: Agora, 1986.

· www.geocities.com/mentalAcesso em 21/06 as 14:30 h.


· http://www.psiqweb.com.br/Acesso em 22/06 as 09:30 h.

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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Fobia


O que é?

Fobia é o medo persistente, excessivo e irreal de um objeto, pessoa, animal, atividade ou situação. É um tipo de distúrbio de ansiedade. Uma pessoa com fobia ou tenta evitar a coisa que ativa o medo, ou suporta isto com grande ansiedade e angústia.
Algumas fobias são muito específicas e limitadas. Por exemplo, uma pessoa pode ter medo só de aranhas (aracnofobia) ou de gatos (galeofobia). Neste caso, a pessoa vive relativamente livre de ansiedade evitando a coisa que ela teme. Algumas fobias causam dificuldade em uma variedade mais ampla de lugares ou situações. Por exemplo, os sintomas de acrofobia (medo de alturas) podem ser ativados bastando a pessoa olhar para fora da janela de um edifício comercial ou dirigir sobre uma ponte alta. O medo de espaços limitados (claustrofobia) pode ser ativado ao usar o elevador ou um sanitário público pequeno. Pessoas com estas fobias podem precisar alterar suas vidas drasticamente. Em casos extremos, a fobia pode ditar a profissão da pessoa, seu local de trabalho, seu roteiro ao dirigir, suas atividades recreativas e sociais, ou o ambiente de sua casa.

Há três tipos principais de fobia:

· Fobia Específica (fobia simples) –
É a forma mais comum de fobia. Neste tipo, as pessoas podem temer certos animais (como cachorros, gatos, aranhas ou cobras), pessoas (palhaços, dentistas, os médicos), ambientes (lugares escuros, tempestades, lugares altos) ou situações (viajar de avião ou de trem, por estarem em um espaço limitado). Embora a causa das fobias específicas permaneça um mistério, estas condições são pelo menos em parte genéticas (herdadas), e parecem ocorrer em outros membros de uma família.

· Fobia Social (desordem de ansiedade social) – Neste tipo as pessoas têm medo de situações sociais onde elas possam ser humilhadas, envergonhadas ou julgadas pelos outros. Elas ficam particularmente ansiosas quando pessoas pouco conhecidas estiverem envolvidas nesta situação. O medo pode ser limitado ao desempenho, como dar uma conferência, concerto ou apresentação empresarial. Ou pode ser mais generalizado, de forma que a pessoa fóbica evita muitas situações sociais, como comer em público ou usar um sanitário público. A Fobia Social aparece em outros membros de uma mesma família. Pessoas que foram tímidas ou solitárias na infância, ou que têm uma história de experiências sociais infelizes ou negativas na infância, parecem ter propensão de desenvolver esta desordem.

· Agorafobia – A agorafobia é um medo de estar em lugares públicos onde seria difícil ou embaraçoso sair subitamente. Uma pessoa com agorafobia pode evitar ir a um filme ou a um concerto, ou viajar em um ônibus ou trem. Em muitos casos, ela também tem repetidos e inesperados ataques de pânico (medo intenso e uma variedade de sintomas físicos incômodos como tremer, ter palpitações, ter sudorese intensa e rubor facial).

As fobias da infância geralmente acontecem entre as idades de 5 e 9 anos, e tende a ser de curto prazo. A maioria das fobias começa depois de adulto, especialmente em pessoas acima dos vinte anos de idade. As fobias no adulto tendem a durar muitos anos, e são menos prováveis de curarem sozinhas. Sem tratamento específico, a fobia pode aumentar o risco de outros tipos de doença psiquiátrica na vida adulta, especialmente outras desordens de ansiedade, depressão e uso de drogas.

Os sintomas de fobia incluem:

· Sentimentos excessivos, irracionais e persistentes de medo ou ansiedade que são ativados por um objeto, uma atividade ou uma situação em particular - Os sentimentos ou são irracionais ou fora de proporção para qualquer ameaça atual. Por exemplo, qualquer um pode ter medo de ser ameaçado por um cachorro não contido, mas não é razoável correr de um animal calmo, quieto em uma coleira.
· Sintomas físicos relacionados à ansiedade – Estes sintomas podem incluir tremores, palpitações, sudorese, falta de ar, vertigem, náuseas ou outros sintomas que refletem uma resposta ao perigo do tipo “corra ou lute”.
· Evitação do objeto, atividade ou situação que ativam a fobia - Como as pessoas que têm fobia reconhecem que seus medos são irracionais, elas freqüentemente se sentem envergonhadas ou embaraçadas sobre seus sintomas. Para prevenir os sintomas de ansiedade ou de embaraço, elas evitam os fatores desencadeantes da fobia.

Diagnóstico

Além das perguntas rotineiras, o médico ou psicólogo irá perguntar acerca dos sintomas atuais, e da história familiar, particularmente se outros membros da família já tiveram algum tipo de fobia. Ele também perguntará sobre qualquer experiência ou trauma que possam ter provocado a fobia - por exemplo, um ataque por cachorro que levou ao medo de cachorros. Não necessariamente a fobia tem como alvo o objeto ou situação que levou ao trauma no passado
A pessoa pode achar útil discutir como ela reage - seus pensamentos, sentimentos e sintomas físicos - quando ela é confrontada com a coisa que ela tem medo. Além disso, ela deve descrever o que ela faz para evitar situações de medo, e como a fobia afeta sua vida diária, incluindo seu trabalho e suas relações pessoais.
O médico / psicólogo irá perguntar sobre depressão e o uso de substâncias (drogas ou medicamentos), porque muitas pessoas com fobias têm estes problemas também.


Prevenção

Não há nenhum modo de se impedir o aparecimento de uma fobia. Porém, se a pessoa já tiver uma fobia ou qualquer outra desordem de ansiedade, ela pode reduzir seu nível de ansiedade evitando estimulantes como a cafeína (presente no café, chá e refrigerantes), chocolate e nicotina (presente no cigarro).

Tratamento

O tratamento normalmente inclui a combinação de psicoterapia e medicamentos:

· Fobia Específica – A terapia cognitiva comportamental pode ajudar, especialmente a chamada terapia de dessensibilização ou terapia de exposição. Esta técnica envolve aumentar a exposição gradual da pessoa às coisas que provocam medo, sob circunstâncias controladas. Como a pessoa é exposta ao objeto, ela é ensinada a dominar seu medo por relaxamento, controle da respiração ou outras estratégias para reduzir a ansiedade. Para o tratamento a curto prazo das fobias, o médico pode prescrever um medicamento ansiolítico, como o Lorazepan (Lorazefast®). Se a fobia só é confrontada ocasionalmente, como o medo de voar, o tratamento pode ser limitado ao uso de medicamentos.

· Fobia Social - Se a fobia social concentra-se em um desempenho em particular (por exemplo, dar uma conferência ou tocar em um concerto), o médico pode prescrever um medicamento chamado beta bloqueador como o propranolol (Inderal®). Este medicamento só pode ser tomado antes do evento estressante. Ele ameniza os efeitos físicos da ansiedade (batimento do coração ou tremor dos dedos), mas normalmente não afeta a eficácia mental necessária para falar ou a destreza física necessária para tocar um instrumento. Para formas de fobia social mais generalizadas ou a longo prazo, o médico pode prescrever um antidepressivo, normalmente um ISRS (Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina) como a Sertralina (Zoloft®), Paroxetina (Cebrilin ®) ou Fluoxetina (Prozac®). Se um ISRS não for efetivo, o médico pode prescrever um antidepressivo alternativo ou um medicamento ansiolítico. A terapia cognitiva comportamental também funciona bem para muitas pessoas com fobia social.

· Agorafobia - O tratamento para esta desordem é semelhante ao tratamento para a desordem do pânico. O tratamento medicamentoso inclui medicamentos ansiolíticos, como o Clonazepam (Rivotril®), Diazepan (Valium®) e Lorazepan (Lorazefast®); antidepressivos ISRS ou antidepressivos mais antigos, como a Clomipramina (Anafranil®) e a Imipramina (Tofranil®). A psicoterapia também é um tratamento útil, particularmente a cognitiva comportamental.

Qual médico procurar?

Marque uma consulta com um psicólogo ou psiquiatra o mais cedo possível se você está preocupado com seus medos ou ansiedades que estão perturbando sua paz interior, interferindo com suas relações pessoais, ou lhe impedindo de viver normalmente em casa, na escola ou no trabalho.


Prognóstico

A perspectiva é muito boa para pessoas com fobia específica ou fobia social. Aproximadamente 75% das pessoas com fobias específicas superam seus medos com terapia cognitiva comportamental, enquanto 80% têm alívio da fobia social com medicamentos, terapia cognitiva comportamental ou uma combinação de ambos.
Quando a agorafobia ocorre com a desordem de pânico, o prognóstico também é bom. Com o tratamento apropriado, 30 a 40% dos pacientes ficam livres de seus sintomas por um período prolongado, enquanto outros 50% continuam a experimentar só sintomas leves que não afetam a vida diária significativamente. Só 10 a 20% dos pacientes não melhoram.




Fonte: http://www.policlin.com.br/drpoli/150/

Publicação e responsabilidade:
Informedicals Policlin

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

MELATONINA E DOENÇAS NEUROLÓGICAS

Por Dr. Mario F. P. Peres
As mudanças comportamentais que ocorrem de acordo com o ritmo de 24 horas nos seres vivos é uma das características mais proeminentes da vida no planeta Terra. O sistema nervoso, tanto em organismos simples quanto complexos, se desenvolveu ao longo dos milênios para atender às demandas de variações tempo dependentes relacionadas ao ciclo claro-escuro. A glândula pineal e a melatonina têm importância fundamental nos mecanismos de adaptação do organismo ao meio ambiente, cuja insuficiência pode estar relacionada com a gênese de diversos processos patológicos, incluindo as doenças neurológicas. A melatonina age como um transdutor neuroendócrino, transformando as informações externas referentes ao ciclo noite-dia em sinais bioquímicos que modulam a organização tempo-dependente de funções autonômicas, neuroendócrinas e comportamentais (Arendt, 2003).
A melatonina (N-acetil-metoxitriptamina) foi caracterizada em 1958, é uma indoleamina conhecida hoje como o maior produto secretório da glândula pineal, que é um órgão de linha média no cérebro, de até 8mm, localizado abaixo do esplênio do corpo caloso.
A regulação da secreção de melatonina na pineal é singular, diferente de outras glândulas, ela não é influenciada por outros hormônios secretados por outras glândulas ou células, e sim, o grande regulador da produção de melatonina é o ciclo claro/escuro, dia/noite ambiental, sendo um órgão final do sistema visual. A melatonina é produzida somente durante a noite, a luz tem efeito paradoxal na sua produção, estimula quando é recebida de dia e inibe à noite. O núcleo supraquiasmático no hipotálamo (que constitue o relógio biológico) recebe a informação luminosa via axônios do trato retino-hipotalâmico e através da norepinefrina, via receptores beta-adrenérgicos, estimula a produção de melatonina no pinealócito.
A secreção de melatonina diminui com a idade, portanto uma série de eventos biológicos ligados ao envelhecer podem ser relacionados com esta diminuição. Outros aspectos importantes da melatonina incluem o seu efeito oncostático, sua interação com o sistema imune, gonadotrófico, seu potente efeito antioxidante, sua modulação do sistema dopaminérico, serotoninérgico, sua potencialização da analgesia opióide e da neurotransmissão de GABA, sua implicação na produção de óxido nítrico e controle neurovascular.
Várias são as doenças do ritmo biológico, também chamadas de dissincronoses. Podem ser de origem externa ou ambiental, devido ao estilo de vida do indivíduo, tal como na síndrome dos trabalhadores em turno trocado, no jet lag (distúrbio secundário ao deslocamento rápido de fuso horário) e na mal-adaptação à mudança do horário de verão/inverno. A síndrome do atraso e avanço da fase de sono, os distúrbios de ritmo em cegos, e a síndrome de Smith Magenis têm origem endógena. Outras doenças como a depressão sazonal, depressão bipolar, esclerose múltipla, síndrome pré-menstrual, enxaqueca e cefaléia em salvas apresentam marcado componente cronobiológico, com uma variação nítida de seus sinais e sintomas de acordo com ritmos circadianos ou circanuais .
Diversas doenças neurológicas, além naturalmente dos distúrbios de sono, sofrem influência clínica relevante dos ritmos biológicos, tais como as cefaléias, epilepsia, demências, doenças neurovasculares, extrapiramidais, neuromusculares, desmielinizantes e neoplasias.
Algumas cefaléias apresentam nítida ritmicidade circadiana como a cefaléia hípnica e a cefaléia em salvas, outras com variação circanual, a cefaléia em salvas e a enxaqueca cíclica, e por último, a enxaqueca menstrual com ritmicidade mensal.
Muitos efeitos biológicos da melatonina a caracterizam como uma potencial candidata a fisiopatologia e tratamento da enxaqueca. Seus efeitos são de potencializar o GABA, inibir o glutamato, varrer óxido nítrico, modular ação da serotonina, dopamina e analgesia opióide, agir como anti-inflamatório, além de ter estrutura molecular à indometacina, molécula de muito interesse na área das cefaléias. Recentemente, mostramos que a melatonina 3mg foi eficaz na prevenção da enxaqueca.
Na enxaqueca, níveis diminuídos de melatonina e alteração na sua curva de secreção foram detectados. Clinicamente, crises podem ocorrer à noite, mudanças de ritmo de sono desencadeiam crises de enxaqueca, pacientes com enxaqueca dormem menos, têm latência maior, e mais despertares noturnos. Em estudo por nós realizado, foi observado em pacientes com enxaqueca crônica alteração dos níveis de melatonina com avanço do seu pico, níveis menores em insônia, apontando para uma disfunção cronobiológica.
Outro estudo em 200 pacientes com enxaqueca episódica e crônica revelou que 93 pacientes (46,5%) relataram crises após mudarem seu horário de sono, 28 pacientes (14%) relataram trabalho em turno trocado, 86% com piora da cefaléia. Oitenta e seis pacientes (43%) relataram frequentes viagens cruzando fusos horários, 79% com piora da cefaléia.
Cefaléia após trabalho em turno trocado correlacionou com fadiga e queixas de memória. Cefaléia após viagem cruzando fusos horários correlacionoou com queixas de concentração e memória. A fase de sono (22:22 hs +- 01:17) esteve significativamente atrasada (22:46 hs +- 01:20 hs) p<0,001,>

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