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quinta-feira, 18 de junho de 2009

O médico, o monstro e a web

Dr. Alessandro Loiola*/Especial para BR Press

(BR Press) - Existe uma regra de ouro na internet: qualquer um pode publicar qualquer coisa, bastando para tanto um computador pessoal e acesso à rede. Porém, enquanto que as mídias convencionais (jornais, revistas, programas de rádio ou televisão, etc) deixam um registro físico, o conteúdo da internet é volátil: ele está aqui hoje e pode simplesmente desaparecer no éter amanhã. O grande problema deixou de ser "encontrar a informação desejada", e passou a ser como avaliar a credibilidade de um documento obtido via internet.

Não existe uma legislação específica para as informações disponíveis na rede. A própria dinâmica sem fronteiras da internet torna a maioria das medidas legais sem sentido ou lentas demais.

Para identificar o que é informação confiável ou não, eu recomendo que você aplique por conta própria quatro critérios bem simples, que devem ser consultados sempre que tiver alguma dúvida sobre a veradicidade do que está lendo na internet - especialmente sobre saúde.

CRITÉRIO 1: AUTORIDADE.

A orientação médica do site é dada por um profissional da área ou você está lendo sobre hipertensão arterial na visão de um ufologista da Transilvânia? É possível identificar o autor do texto e checar suas credenciais?

Sites criados por grandes centros médicos, organizações científicas, universidades e agências governamentais são os mais seguros. Muito cuidado com websites estritamente comerciais ou baseados em testemunhos de pessoas que procuram empurrar um único ponto de vista ou vendem curas milagrosas.

O maior milagre do universo está entre as suas orelhas e se chama Inteligência, lembre-se sempre disso.

CRITÉRIO 2: TRANSPARÊNCIA.

A informação deve estar publicada de modo claro, oferecendo endereços de contato para quem desejar ajuda adicional. O site também deve ser bastante claro quanto à presença de patrocínio: qualquer apoio financeiro, comercial ou não, deve ser identificado.

Por exemplo: se você está lendo sobre constipação intestinal em um site patrocinado por um fabricante de laxantes, as informações ali contidas certamente tenderão a favorecer o patrocinador - o que nem sempre corresponderá a toda verdade em si.

CRITÉRIO 3: ATUALIDADE.

O conhecimento científico é extremamente dinâmico: calcula-se que metade do que os médicos defendem agora estará errado daqui a 10 anos - e para desespero geral ninguém ainda foi capaz de identificar qual metade é esta.

Por isso, procure sempre pela informação mais recente e verifique se o site exibe claramente a data em que determinada informação foi publicada ou revisada.

CRITÉRIO 4: DESCONFIANÇA.

Você encontrou algo que lhe diz respeito e o site parece ter autoridade, transparência e atualidade? Ótimo. Desconfie dele mesmo assim. Desconfie muito, desconfie sempre. Visite outros sites e compare informações.

Mantenha o espírito aberto, porém crítico, em qualquer situação - ou você conhece alguém tenha caído morto, fulminado, após tomar uma pequena dose de prudência?

Nem eu.

Boa parte do caminho de descobrir o que se quer é saber exatamente o que se procura. A internet pode ser uma grande fonte de informação em saúde, mas não é a única: ela deve representar apenas mais um item em seu cardápio de escolhas.

Fonte: Yahoo! Notícias Brasil


*Dr. Alessandro Loiola é médico, escritor e palestrante. Autor de, entre outros livros, "Para Além da Juventude - Guia para uma Maturidade Saudável" (Editora Leitura). Fale com ele pelo e-mail aloiola@brpress.net

1 comentários:

Mr. Cortex 21 de junho de 2009 04:41  

Se é uma pesquisa sobre medicamentos também é interessante buscar informações em grupos de usuários. Afinal, este é o grande diferencial da Internet: dar voz para todos e unir pessoas com algo em comum.
Trago esta experiência do uso de computadores, se eu quisesse saber qual processador apresentava melhor desempenho, onde iria procurar a informação mais imparcial? No site do fabricante? Em sites especializados que recebem peças gratuitamente para análise e que recebem dinheiro de propaganda? Sempre preferi somar a opinião de pessoas que já possuíam a peça que me interessava e que experimentavam com ela.
Veja a semelhança com os remédios, basta fazer uma pesquisa de alguma substância no Google e encontramos pesquisas realizadas por instituições que estão vinculadas com os fabricantes e, não raramente, profissionais da saúde também recebem alguma forma de incentivo. Até que ponto se pode ter certeza da imparcialidade destas fontes?
Já a Wikipédia, que é considerada tão polêmica pois 'qualquer um pode editar', possui o mérito de não fazer uso de propaganda para se manter, de modo a garantir sua imparcialidade. Dúvidas quanto a exatidão das informações contidas na Wikipédia podem ser sanadas checando as fontes listadas ao final dos artigos.
Listas de discussões de usuários são uma fonte bastante rica sobre como as pessoas estão usando os remédios e quais suas percepções a respeito do que estão tomando.
Outra iniciativa que o governo brasileiro deveria copiar são os sites governamentais de saúde voltados para leigos, com textos simples e organizados de forma amigável, como existem na língua inglesa.
Enfim, a Internet permite que várias fontes sejam consultadas em um curto espaço de tempo e com muita praticidade.

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