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quinta-feira, 31 de julho de 2008

Como funciona o Método Científico

por William Harris - traduzido por HowStuffWorks Brasil

Introdução
É comum ouvirmos falar sobre método científico. Alunos de ginásio e de segundo grau aprendem a respeito nas aulas de ciência e o empregam em competições de pesquisa. Anunciantes o utilizam para sustentar alegações sobre produtos como aspiradores de pó e vitaminas (em inglês). Hollywood também o retrata mostrando cientistas usando jalecos e equipados com pranchetas, posicionados diante de microscópios e recipientes repletos de líquidos borbulhantes.
Então, por que o método científico continua a ser um mistério para tanta gente? Um dos motivos talvez seja o nome. A palavra "método" sugere uma espécie de fórmula secreta, disponível apenas para cientistas altamente treinados, mas isso não procede. O método científico é algo que todos nós podemos usar a qualquer momento. De fato, adotar algumas das atividades básicas do método científico - ser curioso, fazer perguntas, procurar respostas - é algo natural em todo ser humano.
Neste artigo, desmistificaremos o método científico, reduzindo-o a suas partes componentes.
Exploraremos a maneira pela qual ele pode resolver problemas cotidianos, mas também explicaremos porque ele é tão fundamental para as ciências físicas e naturais. Também examinaremos alguns exemplos de como o método foi aplicado para fazer descobertas históricas e fornecer sustentação a teorias inovadoras. Mas começaremos por uma definição básica.
Se pedirmos a um grupo de pessoas para definir "ciência", receberemos muitas respostas diferentes. Infelizmente, a maioria dos dicionários não esclarece muito o assunto. Eis uma definição comum:

Ciência é a atividade intelectual e prática que abarca a estrutura e o
comportamento do mundo físico e do natural, por meio da observação e da
experimentação [fonte: Oxford American Dictionary].

Parece difícil, certo? Não se dividirmos essa definição pomposa em partes. Ao fazê-lo, teremos realizado duas coisas: primeiro, sustentaremos o argumento de que a ciência não é misteriosa, ou inatingível; segundo, demonstraremos que o método científico e a ciência são idênticos.

Definição de Método Científico

Vamos decompor a definição de ciência. A ciência é prática. Ainda que a ciência ocasionalmente envolva aprendizado com base em manuais e aulas, sua principal atividade é a descoberta. A descoberta é um processo ativo, presente, não algo para ser realizado apenas por estudiosos isolados do mundo. Ela é tanto uma busca por informação quanto um esforço por explicar como essa informação se combina de maneira significativa. Quase sempre a ciência procura respostas para questões muito práticas: como a atividade humana afeta o aquecimento global? Por que as populações de abelhas estão subitamente se reduzindo na América do Norte? O que permite aos pássaros migrar por distâncias tão longas? Como se formam os buracos negros?
A ciência se baseia na observação. Os cientistas empregam todos os seus sentidos para recolher informações sobre o mundo que os cerca. Ocasionalmente eles as recolhem de maneira direta, sem a intervenção de ferramentas ou aparatos. Em outras ocasiões empregam equipamentos como telescópios ou microscópios, a fim de recolher informações de maneira indireta. De qualquer maneira, os cientistas registrarão aquilo que vêem, ouvem e sentem. Essas observações registradas são conhecidas como dados.
Os dados podem revelar a estrutura de algo. Isso se aplica aos dados quantitativos, que descrevem um objeto em termos numéricos. Os seguintes exemplo são dados quantitativos:
a temperatura do corpo de um beija-flor é de 40,5°C
a velocidade da luz é de 299.792.458 metros por segundo (1.079.752.887 km/h)
o diâmetro de Júpiter é de 142.984 quilômetros
o comprimento de uma baleia azul é de 30,5 metros
Percebemos que os dados quantitativos consistem em um número seguido de uma unidade de medida. A unidade de medida é uma maneira padronizada de medir uma determinada dimensão ou quantidade (por exemplo, o metro é uma unidade de comprimento). Na ciência, o Sistema Internacional (SI) de unidades, a forma mais moderna do sistema métrico, é o padrão mundial.
Os dados também podem revelar comportamentos. Nesse caso, eles representam dados qualitativos, ou descrições escritas de um objeto ou organismo. John James Audubon, naturalista, ornitologista e pintor do século 19, é famoso pelas observações qualitativas que fez sobre o comportamento de pássaros.

Em geral, cientistas recolhem dados tanto qualitativos quanto
quantitativos, que contribuem igualmente para o conhecimento aglomerado
quanto a um determinado tópico. Em outras palavras, os dados quantitativos
não são mais importantes ou mais valiosos porque se baseiam em medições
precisas [fonte: Audubon].
A ciência como atividade intelectual sistemática
A ciência é uma atividade intelectual. Fazer observações e recolher dados não são os únicos objetivos. Os dados precisam ser analisados e utilizados para que compreendamos o mundo que nos cerca. Isso requer raciocínio indutivo, ou a capacidade de derivar generalizações com base em observações específicas. Existem muitos exemplos clássicos de raciocínio indutivo na História da ciência, mas observemos um deles para compreender como funciona esse exercício intelectual.
Em 1919, quando Edwin Hubble (cujo nome se tornou famoso em função do Telescópio Espacial Hubble) chegou ao Monte Wilson, na Califórnia, para usar o Telescópio Hooker, os astrônomos em geral acreditavam que o Universo consistisse em uma única galáxia - a Via Láctea. Mas quando Hubble começou a fazer observações com o telescópio Hooker, ele descobriu que objetos celestes conhecidos como nebulosas (e inicialmente considerados como parte da Via Láctea), na verdade, estavam localizados bem além de suas fronteiras. Ao mesmo tempo, ele observou que essas nebulosas estavam se afastando rapidamente da Via Láctea. Hubble usou essas observações para oferecer uma generalização revolucionária, em 1925: o universo não consistia em uma galáxia, mas de milhões delas. Não só isso, argumentou Hubble, mas todas as galáxias estavam se distanciando umas das outras devido a uma expansão uniforme do universo.
A ciência faz previsões e as testa usando experiências. Generalizações são ferramentas poderosas porque permitem que cientistas façam previsões. Por exemplo, quando Hubble afirmou que o universo se estendia bem além da Via Láctea, tornou-se necessário que astrônomos observassem essas outras galáxias. E, com as melhorias nos telescópios, eles descobriram novas galáxias - milhares e milhares delas, de todas as formas e tamanhos. Os astrônomos hoje acreditam que existam cerca de 125 bilhões de galáxias no universo. Ao longo dos anos, os cientistas também puderam conduzir diversas experiências que apóiam o conceito de Hubble, de um universo em expansão.
Uma experiência clássica se baseia no efeito Doppler. A maioria das pessoas conhece o efeito Doppler como um fenômeno sonoro. Por exemplo, quando uma ambulância passa por nós na rua, o som se torna mais agudo com sua aproximação e mais grave quando ela se afasta. Isso acontece porque a ambulância ou está se aproximando mais das ondas sonoras que cria (o que reduz a distância entre os picos das ondas e torna o som mais agudo), ou está se afastando delas (o que aumenta a distância entre os picos das ondas e torna o som mais grave).
Os astrônomos trabalharam com a hipótese de que ondas de luz criadas por objetos celestes se comportariam da mesma maneira. Eles partiram dos seguintes palpites:

-caso uma galáxia distante esteja correndo em direção à nossa, estará mais próxima das ondas de luz que produz (o que diminui a distância entre os picos das ondas e altera a cor para banda azul do espectro);

-caso uma galáxia distante esteja se afastando da nossa, ela se afastará das ondas de luz que está criando (o que aumenta a distância entre os picos das ondas e altera a cor para a banda vermelha do espectro).

Para testar a hipótese, os astrônomos empregaram um instrumento conhecido como espectógrafo, para observar o espectro - as faixas de cores no céu que os diversos objetos celestes produzem. Eles registraram os comprimentos de onda de linhas espectrais e as intensidades das bandas, recolhendo dados que acabaram provarando que a hipótese estava correta.
A ciência é sistemática, rigorosa e metódica, exigindo que os testes sejam repetidos de modo que os resultados possam ser verificados. O desvio para o vermelho, previsto pela hipótese, foi provado em repetidas experiências. De fato, ele foi tão bem documentado que se tornou parte integrante da teoria do Big Bang, que descreve a expansão do universo a partir de um estado extremamente denso e quente.

História do Método Científico
A Idade Média, entre os anos 500 e 1100, foi caracterizada por uma decadência geral da civilização. O conhecimento proveniente dos antigos romanos sobreviveu em apenas alguns mosteiros, catedrais e escolas reais, e o conhecimento oriundo da Grécia antiga praticamente desapareceu. De pouco antes do início da Idade Média até um século depois de seu fim, não existiu praticamente nenhum avanço científico importante. A Igreja Católica se tornou muito poderosa na Europa e o dogma religioso determinava muito do que as pessoas pensavam e acreditavam. Aqueles cujas crenças ou práticas se desviavam da norma da Igreja eram "reabilitados" e acabavam voltando ao seio do rebanho. Os que mostravam resistência eram perseguidos ou excomungados.

No século 12, surgiu o Renascimento. Os estudiosos europeus começaram a ter contato com o conhecimento e as culturas cultivadas no mundo islâmico e em outras regiões além de suas fronteiras, e voltaram a se familiarizar com os trabalhos de antigos pensadores como Aristóteles, Ptolomeu e Euclides. Isso ofereceu uma plataforma e vocabulário comum sobre os quais construir uma comunidade científica mais ampla que poderia trocar idéias e inspirar formas criativas de solucionar problemas.
Veja a seguir alguns dos importantes pensadores que surgiram na época do Renascimento.

-Albertus Magnus (1193 - 1250) e Tomás de Aquino (1225 - 1274) - dois estudiosos do escolasticismo, um sistema filosófico que enfatiza o uso da razão na exploração de questões de filosofia e teologia. Magnus fazia uma distinção entre verdade revelada (a revelação de algo desconhecido por meio do poder divino) e ciência experimental, e realizou muitas observações científicas nos campos da astronomia, química, geografia e fisiologia.

-Roger Bacon (1210 - 1293) - frade franciscano, cientista e estudioso inglês, apelou para o fim da aceitação cega de alguns textos muito difundidos. Ele tomou por alvo, em especial, as idéias de Aristóteles, as quais, ainda que valiosas, eram muitas vezes tomadas como se fossem fatos, mesmo não havendo provas que as sustentassem.

-Francis Bacon (1561-1626) - advogado (em inglês) de sucesso e influente filósofo que reformou o pensamento científico. Em seu "Instauratio Magna", Bacon propôs uma nova abordagem da investigação científica. Ele o publicou em 1621 sob o título "Novum Organum Scientiarum". A nova abordagem advogava o raciocínio indutivo como fundação do pensamento científico. Bacon argumentou também que apenas um sistema claro de investigação científica poderia garantir o domínio do homem sobre o mundo.

Francis Bacon foi o primeiro a formalizar o conceito de método científico. Foram os trabalhos de Nicolau Copérnico (1473-1543) e Galileu Galilei (1564-1642) que influenciaram fortemente o pensamento de Bacon. Copérnico propôs, com base em suas observações, que os planetas do Sistema Solar giravam em torno do sol, e não da Terra. Galileu conseguiu confirmar uma estrutura centrada no sol, quando usou um telescópio projetado por ele mesmo para obter dados sobre, entre outras coisas, as luas de Júpiter e as fases de Vênus. A maior contribuição de Galileu, porém, pode ter sido seu estudo sistemático do movimento, baseado em descrições matemáticas simples.
Na época da morte de Galileu, o terreno estava preparado para uma verdadeira revolução no pensamento científico. Isaac Newton (1642-1727) contribuiu bastante para impulsionar essa revolução. Seu trabalho no campo da matemática resultou no cálculo integral e diferencial. Seu trabalho na astronomia ajudou a definir as leis do movimento e da gravitação universal.Os estudos de óptica de Isaac Newton conduziram ao primeiro telescópio reflexivo. Um tema comum a todo o trabalho de Newton era uma capacidade quase sobrenatural de desenvolver alguns conceitos e equações relativamente simples, mas com enorme poder de previsão. Seus sistemas unificados de leis resistiram a séculos de teste e reflexão e continuam permitindo que cientistas estudem outros mistérios da física e da astronomia.
Seria justo dizer que o período coberto pela carreira de Newton marca o começo da ciência moderna. No início do século 19, a ciência estava estabelecida como campo independente e respeitado de estudos, e o método científico - baseado em testes e observação - estava sendo adotado em todo o mundo. Um exemplo clássico de como a ciência evoluiu como esforço colaborativo - que gera ampliação gradual do conhecimento - pode ser encontrado no desenvolvimento do que hoje designamos como teoria celular.
Assim, a ciência pode ser considerada como uma forma de pensar, mas também como uma forma de se trabalhar - um processo que requer que os cientistas façam perguntas, formulem hipóteses e as testem por meio de experiências. Esse processo se tornou conhecido como método científico e seus princípios básicos estão em uso por pesquisadores de todas as disciplinas, em todas as partes do mundo.
Mas a situação nem sempre foi essa - o avanço em direção ao processo científico de investigação evoluiu lentamente com o tempo. Na próxima seção, estudaremos mais de perto a história do método científico, para compreender como ele se desenvolveu.
Teoria celular
A descoberta da célula foi possível devido à invenção do microscópio, por sua vez propiciada pelo avanço nas técnicas de polimento de lentes. Antoni van Leeuwenhoek (1632-1723), um artesão holandês, aprendeu a polir lentes e a montá-las em forma de microscópios simples. Seu contemporâneo Robert Hooke (1635-1703) usou um desses instrumentos para observar as células da cortiça e os esboços foram publicados por ele em "Micrographia", livro de 1665. Inspirado pelo trabalho de Hooke, Leeuwenhoek começou a realizar estudos microscópicos por conta própria. Em 1678, ele relatou à Royal Society britânica que havia descoberto "pequenos animais" - bactérias e protozoários - em diversas amostras. A sociedade pediu que Hooke confirmasse a observação de Leeuwenhoek, e ele o fez. Isso abriu caminho para a ampla aceitação de que existia um mundo além dos limites da visão humana e encorajou muitos cientistas a adotar o microscópio em suas investigações. Um desses cientistas era o botânico alemão Matthias Jakob Schleiden (1804-1881), que estudou diversas amostras de plantas. Schleiden foi o primeiro a reconhecer que todas as plantas e as diferentes porções delas, eram compostas de células. Em um jantar com o zoólogo Theodor Schwann (1810-1882), Schleiden mencionou a idéia. Schwann, que havia chegado a conclusões semelhantes ao estudar tecidos animais, rapidamente percebeu as implicações do trabalho de ambos. Em 1839, ele publicou "Investigações Microscópicas sobre a Concordância de Estruturas e Crescimento em Plantas e Animais", que incluía a primeira exposição da teoria celular: todas as coisas vivas são compostas de células.
Em seguida, em 1858, Rudolf Virchow (1821-1902) ampliou o alcance do trabalho de Schleiden e Schwann ao propor que todas as células vivas derivavam de células pré-existentes. Tratava-se de uma idéia radical, na época porque a maioria das pessoas, incluindo os cientistas, acreditava que matéria não viva era capaz de gerar matéria viva espontaneamente. A inexplicável aparição de vermes em um pedaço de carne era muitas vezes vista como indício de sustentação ao conceito de geração espontânea. Mas um famoso cientista chamado Louis Pasteur (1822-1895) provou que geração espontânea não existia, por meio de uma experiência que se tornou clássica estabelecendo firmemente a teoria celular e solidificando os passos básicos do moderno método científico.

As etapas do Método Científico
Para oferecer uma nova prova de que não existe um método único de "fazer" ciência, diferentes fontes descrevem as etapas do método científico de maneiras diversas. Algumas delas mencionam três etapas, outras apenas duas. Em termos fundamentais, porém, elas incorporam os mesmos conceitos e princípios.


Para os nossos propósitos, diremos que existem cinco etapas fundamentais no método.
Etapa 1: Observação
Quase todas as investigações científicas começam por uma observação que desperta a curiosidade ou suscita uma questão. Por exemplo, quando Charles Darwin (1809-1882) visitou as Ilhas Galápagos (localizadas no Oceano Pacífico, a 950 km a oeste do Equador), ele observou diversas espécies de tentilhões, cada qual adaptado de maneira única a um habitat específico. Os bicos dos tentilhões, em especial, apresentavam largas variações e pareciam desempenhar papel importante na maneira pela qual o animal obtinha alimento. Os pássaros cativaram Darwin. Ele queria compreender as forças que permitiam que tantas variedades diferentes coexistissem com sucesso em uma área geográfica pequena. Suas observações o levaram a formular uma pergunta que poderia ser submetida a teste.
Etapa 2: Formulação da pergunta
O propósito da pergunta é estreitar o foco da investigação e identificar o problema em termos específicos. A pergunta que Darwin poderia ter feito, depois de ver tantos tentilhões diferentes, talvez fosse expressa assim: o que causou a diversificação dos tentilhões das ilhas Galápagos?
Eis algumas outras questões científicas:
-o que faz com que as raízes de uma planta cresçam para baixo e o seu caule cresça para cima?
-que marca de desinfetante bucal mata mais germes?
-que forma de carroceria de automóvel reduz com mais eficiência a resistência do ar?
-o que causa descoloração nos corais?
-o chá verde reduz os efeitos da oxidação?
-que tipo de material de construção absorve mais som?
Encontrar perguntas científicas não é difícil e não requer treinamento científico. Se você já se sentiu curioso sobre algo, se já quis saber o que causou algum acontecimento, então provavelmente já formulou uma pergunta que poderia servir de base a uma investigação científica.
Etapa 3: Formulação da hipótese
Perguntas anseiam por respostas e o próximo passo no método científico é sugerir uma possível resposta em forma de hipótese. Uma hipótese é, muitas vezes definida, como um palpite informado porque quase sempre se baseia nas informações que você dispõe sobre um tópico. Por exemplo, se você desejasse estudar o problema relacionado à resistência do ar, poderia já ter a sensação intuitiva de que um carro em forma de pássaro poderia enfrentar menos resistência do ar do que um carro em forma de caixa. Essa intuição pode ser usada para ajudar a formular uma hipótese.
Em termos gerais, uma hipótese é expressa na forma de uma declaração "se... então". Ao fazer uma declaração como essa, os cientistas estão praticando o raciocínio dedutivo, que é o oposto do raciocínio indutivo. A dedução, na lógica, requer movimento do geral para o específico. Eis um exemplo: se o perfil da carroceria de um carro se relaciona à resistência do ar que ele encontra - declaração geral - então um carro em forma de pássaro será mais aerodinâmico do que um carro em forma de caixa - declaração específica.
Perceba que existem duas qualidades importantes quanto a uma hipótese expressa em formato "se... então". A primeira é que ela é passível de teste e é possível organizar uma experiência que teste a validade dessa declaração. A segunda é que ela pode ser contestada, ou seja, seria possível desenvolver uma experiência que revele que tal idéia não procede. Caso essas duas qualificações não sejam atendidas, a questão não poderá ser tratada por meio do método científico.

Etapa 4: Experiência controlada
Muitas pessoas pensam em uma experiência como algo que acontece em um laboratório. Mas as experiências não necessariamente envolvem as bancadas de um laboratório ou tubos de ensaio. No entanto, elas precisam ser montadas de forma a testar uma hipótese específica e precisam ser controladas. Controlar uma experiência significa controlar todas as variáveis, de modo que apenas uma esteja aberta a estudo. A variável independente é a variável controlada e manipulada pelo responsável pela experiência, enquanto a variável dependente não o é. À medida que a variável independente é manipulada, a variável dependente é mensurada em busca de variações. No exemplo sobre o carro, a variável independente é a forma da carroceria. A variável dependente - aquilo que medimos para determinar o efeito do perfil do carro - pode ser a velocidade, o consumo de combustível ou uma medição direta da pressão de ar exercida sobre o carro. Controlar uma experiência também significa montá-la de forma que haja um grupo de controle e um grupo experimental. O grupo de controle permite que o responsável pela experiência estabeleça um parâmetro de comparação, com números que ele possa confiar e que não resultem das mudanças geradas pela experiência. Por exemplo, na experiência de Pasteur, o que teria acontecido caso ele tivesse usado apenas o frasco de gargalo curvo? Poderíamos saber com certeza que a falta de bactérias no frasco se devia à sua forma? Não. Ele precisava comparar os resultados do grupo experimental aos do grupo de controle. O grupo de controle de Pasteur era o frasco de gargalo reto.
Agora considere o exemplo sobre a resistência do ar. Se desejarmos conduzir a experiência, precisaríamos de ao menos dois carros - um de forma mais esbelta, semelhante à do corpo de um pássaro, e o outro em forma de caixa. O primeiro modelo seria o grupo experimental e o segundo o grupo de controle. Todas as demais variáveis - o peso dos carros, os pneus e até mesmo a pintura - teriam de ser idênticas. A pista de teste e as condições que a afetam teriam de ser controladas ao máximo.
Etapa 5: Analise os dados e conclusão
Durante uma experiência, os cientistas reúnem dados quantitativos e qualitativos. Em meio a essas informações, se eles tiverem sorte, estão indícios que podem ajudar a sustentar ou a rejeitar uma hipótese. O volume de análise necessário para chegar a uma conclusão pode variar amplamente. Como a experiência de Pasteur dependia de observações qualitativas sobre a aparência do caldo, a análise era bem simples. Ocasionalmente, é preciso usar ferramentas analíticas sofisticadas para analisar os dados. De qualquer forma, o objetivo final é provar ou negar uma hipótese e, ao fazê-lo, responder à pergunta original.

Aplicações do Método Científico
Lembre-se de que esta é uma metodologia idealizada. Os cientistas não carregam uma lista dessas cinco etapas. O progresso é bastante fluido e aberto à interpretação. Um cientista pode passar boa parte de sua carreira na etapa de observação. Outro pode trabalhar sem que nunca dedique muito tempo a conceber e a conduzir experiências. Darwin passou quase 20 anos analisando os dados que recolheu antes de agir em relação a eles. Na verdade, boa parte do trabalho de Darwin foi puramente intelectual, como se ele estivesse tentando montar um grande quebra-cabeças. E, no entanto, ninguém argumentaria que sua teoria da seleção natural é menos valiosa ou menos científica, porque ele não seguiu rigorosamente o processo das cinco etapas. Também seria apropriado mencionar uma vez mais que esse método não está reservado a cientistas altamente treinados. Qualquer pessoa que tente solucionar um problema pode empregá-lo. Para ilustrar o ponto, considere o seguinte exemplo: você está indo a uma loja quando seu carro apresenta superaquecimento. No caso, o problema revelado pela observação (uma luz de alerta de temperatura) que lança à investigação se torna claro imediatamente. Mas o que estaria causando o superaquecimento? Uma hipótese poderia ser um defeito no termostato. Outra envolveria o radiador. Uma terceira seria que a correia do ventilador poderia ter se partido.
A solução mais simples, muitas vezes, representa o melhor ponto de partida. O mais fácil a fazer, nesse caso, é verificar a condição da correia do ventilador. Caso você descubra que ela está mesmo partida, há motivos para acreditar que seja essa a causa do superaquecimento. No entanto, ainda é necessário um teste para confirmar. O teste, no caso, envolveria substituir a correia e ligar o motor para ver se o carro se superaquece. Caso isso não aconteça, você pode aceitar a hipótese relacionada à correia do ventilador. Mas se a correia não estiver partida, ou se sua substituição não impedir o superaquecimento do carro, a hipótese terá de ser revista. Talvez você tenha percebido que o exemplo oferecido não contém uma hipótese em forma "se... então". Também pode ter percebido que não inclui grupo experimental e grupo de controle. Isso se deve ao fato de que problemas cotidianos não requerem esse tipo de formalidade. Mas requerem uma abordagem lógica e uma progressão de pensamento que resulte em uma hipótese passível de teste.
Assim, se qualquer um pode usar o método científico, por que ele desenvolveu conexão tão forte com ramos como a biologia, física e química? Porque os pesquisadores aplicam o método científico com um rigor que os não cientistas não utilizam.

Importância do Método Científico
O método científico tenta minimizar a influência da parcialidade que o responsável pela experiência possa apresentar. Até mesmo o mais bem intencionado dos cientistas pode ser parcial. Isso resulta de crenças pessoais, bem como de crenças culturais, o que significa que qualquer ser humano filtra as informações com base em suas próprias experiências. Infelizmente, esse processo de filtragem pode fazer com que um cientista prefira um resultado a outro. Para alguém que esteja tentando resolver um problema doméstico, ceder a essa parcialidade não é uma questão séria. Mas na comunidade científica, onde resultados têm de ser revisados e reproduzidos, a parcialidade precisa ser evitada a todo custo.
Essa é a função do método científico, que oferece uma abordagem objetiva e padronizada para a condução de experiências e melhora os resultados obtidos. Ao empregar uma abordagem padronizada nas investigações, os cientistas podem se sentir confiantes de estarem aderindo aos fatos e limitando a influência de idéias pessoais e preconcebidas. Mas, mesmo com uma metodologia rigorosa em ação, alguns cientistas ainda cometem erros. Por exemplo, podem considerar que uma hipótese representa a explicação de um fenômeno sem realizar testes que confirmem a suposição. Ou podem deixar de registrar com precisão certos erros, como erros de mensuração. Ou podem ignorar dados que não apóiem suas hipóteses.

Gregor Mendel (1822-1884), padre austríaco que estudou traços hereditários em pés de ervilha e um dos pioneiros no estudo da genética, pode ter sido vítima de um erro conhecido como parcialidade de confirmação. A parcialidade de confirmação é uma tendência a acatar dados que sustentem uma tese e rejeitar aqueles que a contestam. Alguns observadores argumentam que Mendel obteve determinado resultado utilizando uma amostra de dimensões modestas e depois continuou a reunir e a mensurar dados a fim de garantir que seu resultado original fosse confirmado. Ainda que experiências subseqüentes tenham comprovado a hipótese de Mendel, muita gente ainda questiona seus métodos experimentais.
Na maior parte do tempo, porém, o método científico funciona, e funciona bem. Quando uma hipótese ou grupo de hipóteses correlatas recebe confirmação por meio de testes experimentais repetidos, o resultado pode se tornar uma teoria. Teorias têm escopo muito mais amplo do que hipóteses e oferecem imenso poder de previsão. A teoria da relatividade, por exemplo, previu a existência de buracos negros muito antes que existissem provas capazes de sustentar a idéia. Deve-se ressaltar, no entanto, que um dos objetivos da ciência não é só confirmar teorias, mas refutá-las. Quando isso acontece, uma teoria precisa ser modificada ou descartada de todo.

Limitações do Método Científico
O método científico é comprovadamente uma ferramenta poderosa, mas tem suas limitações. Essas limitações se baseiam no fato de que uma hipótese precisa ser passível de teste e de refutação, e que experiências e observações precisam ser passíveis de repetição. Isso coloca certos tópicos além do alcance do método científico. Por exemplo, a ciência não pode provar ou refutar a existência de Deus ou de qualquer outra entidade sobrenatural. Ocasionalmente, os princípios científicos são usados para tentar emprestar credibilidade a certas idéias não científicas, como a teoria do design inteligente. O design inteligente representa uma afirmação de que certos aspectos da criação do universo e da vida só poderiam ser explicados sob o contexto de um poder divino inteligente. Os proponentes do design inteligente tentam mascarar esse conceito como teoria científica a fim de torná-lo mais aceitável aos responsáveis pela preparação de currículos escolares. Mas o design inteligente não é científico porque não se pode testar a existência de um ser divino por meio de uma experiência.

É uma onda, é uma partícula, é uma onda...
Na maior parte do tempo, não pode haver duas teorias concorrentes para descrever um mesmo fenômeno. Mas no caso da
luz, uma teoria não foi suficiente. Muitas experiências sustentam a idéia de que a luz se comporta como uma onda longitudinal. Tomadas em conjunto, essas experiências geraram a teoria da luz. Outras experiências, no entanto, sustentam a idéia de que a luz se comporta como partícula. Em lugar de descartar uma teoria e manter a outra, os físicos optaram por uma dualidade onda/partícula para descrever o comportamento da luz.

A ciência tampouco é capaz de realizar julgamentos de valor. Ela não pode afirmar que o aquecimento global é ruim, por exemplo. Pode estudar as causas e efeitos do aquecimento global e relatar os resultados obtidos, mas não pode afirmar que dirigir utilitários esportivos é errado ou que as pessoas que não tenham substituído suas lâmpadas comuns por lâmpadas fluorescentes são irresponsáveis. Ocasionalmente, certas organizações empregam dados científicos para promover suas causas. Isso tende a confundir a distinção entre ciência e moral e encoraja o desenvolvimento de "pseudociência", que tenta legitimar um produto ou idéia por meio de alegações que não foram submetidas a testes rigorosos.
No entanto, se usado devidamente, o método científico é uma das mais valiosas ferramentas que os seres humanos já desenvolveram. Ele ajuda a resolver os problemas comuns que encontramos em casa e ao mesmo tempo a compreender questões profundas sobre o mundo e o universo em que vivemos.

Fonte:William Harris. "HowStuffWorks - Como funciona o Método Científico". Publicado em 14 de janeiro de 2008 (atualizado em 13 de março de 2008) http://ciencia.hsw.uol.com.br/metodos-cientificos10.htm (30 de julho de 2008)

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Como funciona o amor

por Lee Obringer* - traduzido por HowStuffWorks Brasil
INTRODUÇÃO
Se você já se apaixonou alguma vez, provavelmente chegou a pensar em classificar esse sentimento como um vício. E adivinhe só: você estava certo. Os cientistas estão descobrindo que o mesmo processo químico que ocorre nos viciados, ocorre quando nos apaixonamos por alguém.
O amor é um estado mental químico que faz parte de nossos genes e é influenciado pela nossa criação. Somos loucos por romance, em parte porque temos que ser pais amorosos que cuidam com muito carinho de nossos bebês desprotegidos.
Neste artigo, descobriremos o que é realmente o amor e o que acontece em nossos corpos que faz com que nos apaixonemos - e mantém-nos apaixonados. Também descobriremos o que nos faz sentir atração por alguém. É por causa dos feromônios, ou a pessoa simplesmente se encaixa no nosso “modelo de amor”?

O que é amor?
Imagem cedida por Morgue FileO amor romântico nos estimula e motiva. Ele também é essencial para a continuidade de nossa espécie. Sem os laços do amor romântico, viveríamos em uma sociedade completamente diferente, que lembraria uma sociedade primitiva, dos animais (mas não todos). As substâncias químicas que percorrem nosso cérebro quando estamos apaixonados têm várias finalidades, mas seu objetivo primordial é a continuação de nossa espécie. São estas substâncias que nos fazem querer formar famílias e ter filhos. Depois que temos filhos, estas substâncias mudam para nos encorajar a permanecermos juntos e criar as crianças. De certa forma, o amor é apenas um vício químico que existe para que continuemos nos reproduzindo.
Independentemente do país ou da cultura, o amor romântico é muito importante. As maneiras de mostrá-lo variam muito de acordo com a cultura, mas ninguém discute a existência do amor.
O que faz com que nos apaixonemos por alguém?

O que faz com que nos apaixonemos?
Todos temos um modelo de parceiro ideal escondido em algum lugar de nosso subconsciente. É esse modelo de amor que vai decidir qual pessoa, em uma multidão, vai chamar nossa atenção. Mas como se forma esse modelo?
Aparência-Muitos pesquisadores defendem que temos tendência a procurar parceiros do sexo oposto parecidos com nossos pais. Alguns acreditam até que somos atraídos por pessoas parecidas conosco. De fato, o psicólogo cognitivo David Perrett, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, realizou uma experiência onde manipulava fotos do rosto de cada indivíduo, transformando-o em um rosto do sexo oposto. Então, ele pediu para que o indivíduo selecionasse, em uma série de fotos, qual achava mais atraente. Segundo o Dr. Perrett, as pessoas que participaram da experiência sempre preferiam a versão manipulada de seu próprio rosto e não reconheciam-na como sua.
Personalidade-Assim como acontece em relação à aparência, tendemos a preferir aqueles que lembram nossos pais ou outras pessoas próximas de nós durante a infância, por causa da personalidade, senso de humor, gostos etc.
Feromônios-A questão dos feromônios humanos ainda é importante no campo da pesquisa do amor. A palavra “feromônio” vem das palavras gregas phéro e hormôn, que juntas significam "trazer excitação".
No mundo animal, os feromônios são “marcas” olfativas individuais encontradas na urina e no suor, que ditam o regulamento sexual e atraem o sexo oposto. Eles ajudam os animais a identificarem-se e escolher um parceiro com sistema imunológico suficientemente diferente do seu para garantir que a descendência seja resistente. Os animais têm um órgão especial no nariz chamado órgão vomeronasal (em inglês) ou OVN, que detecta esse elemento químico inodoro.
A existência dos feromônios humanos foi descoberta em 1986 pelos cientistas do Chemical Senses Center, na Filadélfia, assim como sua contraparte na França. Eles encontraram essa substância no suor humano. Um OVN humano também foi encontrado em algumas pessoas, mas não em todas. Mesmo que o OVN não esteja presente em todos nós, ou que não esteja funcionando naqueles que o têm, há evidências de que o cheiro é um aspecto importante para o amor. Repare na grande variedade de perfumes vendidos nas lojas. Foi realizada uma experiência onde um grupo de mulheres cheirou as camisetas sujas de um grupo de homens, e cada uma teve que escolher por qual delas se sentia mais “atraída”. Assim como no mundo dos animais, a maioria das fêmeas escolheu a camiseta do homem cujo sistema imunológico era mais diferente do seu.

Olhando nos olhos
O Professor Arthur Aron, da Universidade do Estado de Nova York, em Stonybrook, estudou o que acontece quando as pessoas se apaixonam e descobriu que olhar nos olhos da outra pessoa tem um grande impacto.
Em uma experiência, o Professor Aron colocou desconhecidos de sexos opostos juntos por 90 minutos e pediu que eles conversassem sobre detalhes íntimos. Ele então pediu que eles olhassem nos olhos uns dos outros por 4 minutos, sem falar. Os resultados? Muitos participantes sentiram atração por seus parceiros após a experiência, e dois acabaram se casando 6 meses depois.

Afrodisíacos
De acordo com a FDA, Food and Drug Administration (em inglês), os afrodisíacos são baseados em "folclore, não em fatos". Ainda assim, as pessoas continuam acreditando nos efeitos incentivadores de alguns alimentos, ervas e extratos. Há vários afrodisíacos, e eles podem ou não afetar sua vida amorosa. O Discovery Health (em inglês) listou algumas dessas substâncias:
aspargo: acredita-se que a vitamina E do vegetal estimule os hormônios sexuais;
pimenta vermelha: pesquisadores afirmam que comer pimenta vermelha faz com que liberemos endorfinas, que podem levar a "outras coisas";
chocolate: este alimento, que faz muito sucesso no Dia dos Namorados, contém feniletilamina, um dos elementos químicos que nosso corpo produz naturalmente quando estamos apaixonados (veja a química do amor).
ostras: as ostras contêm altos níveis de zinco, que aumentam a produção de testosterona. A testosterona aumenta a libido em ambos os sexos. Outros afrodisíacos são o Ginco, a Cantárida e a Damiana (fitoterápico utilizado como digestivo, energizante e diurético).
Supõe-se que estas substâncias servem mais para aumentar o desejo sexual ou melhorar a habilidade sexual masculina do que para atrair um parceiro. Mas se você está estimulando hormônios que aumentam o interesse sexual, é mais provável que conheça alguém e se apaixone. E mesmo que estes afrodisíacos não funcionem, algumas pessoas dizem que se você pensar que eles vão funcionar, já é meio caminho andado.

Tipos/fases do amor: desejo e atração
Há 3 tipos ou fases diferentes de "amor":
desejo ou paixão erótica;
atração ou paixão romântica;
união ou compromisso.
Quando estas 3 fases ocorrem com a mesma pessoa, vocês têm uma ligação muito forte. Algumas vezes a pessoa que desejamos não é aquela por quem realmente estamos apaixonados.
Desejo-Quando somos adolescentes, logo após a puberdade, o estrogênio e a testosterona ficam ativos em nossos corpos pela primeira vez e criam o desejo de experimentar o "amor". Esse desejo, também conhecido como luxúria, é muito importante não apenas na puberdade, mas durante toda a vida. De acordo com um artigo de Lisa Diamond, chamado "Amor e Desejo Sexual" (Current Directions in Psychological Science, vol. 13, nº 3), o desejo e o amor romântico são coisas diferentes, causadas por fundamentos diferentes. O desejo desenvolveu-se com o propósito da união sexual, enquanto o amor romântico desenvolveu-se pela necessidade de laços para a criação dos filhos. Então, ainda que tenhamos desejo sexual por nossos parceiros românticos, há vezes em que não temos, e não há problema nenhum nisso. Ou, talvez, tenhamos desejo por nosso parceiro e por outras pessoas. Segundo a Dra. Diamond, isso é normal.
O sexólogo John Money estabeleceu o limite entre amor e desejo: "O amor existe acima da cintura, o desejo, abaixo. O amor é lírico. O desejo é obsceno."
Feromônios, aparência e nossa própria idéia do que buscamos em um parceiro também são fatores importantes para definir nossos desejos. Sem desejo, talvez nunca encontremos aquela pessoa especial. Mas, se por um lado, é o desejo que nos faz "procurar", é a nossa necessidade de romance que nos leva à atração.
Atração-Os sentimentos iniciais podem vir ou não do desejo, mas o que acontece se o relacionamento progredir é a atração. Quando a atração ou a paixão romântica entra em cena, é comum perdermos nossa capacidade de pensar racionalmente, pelo menos no que diz respeito à pessoa pela qual estamos atraídos. O velho ditado "o amor é cego" aplica-se a este estágio. Fazemos vista grossa a todos os defeitos dos nossos parceiros. Nós os idealizamos e não conseguimos tirá-los da cabeça. Essa devastadora preocupação e impulsividade fazem parte da nossa biologia. Vamos entender mais sobre os elementos químicos envolvidos na atração em A química do amor. Nesse estágio, os parceiros passam muitas horas se conhecendo. Se a atração continuar forte, eles geralmente entram no terceiro estágio: a união.

Tipos/fases do amor: união
A fase da união ou compromisso é o amor que dura. Vocês já passaram da fase do amor fantasioso e estão entrando no amor real. Esta fase do amor tem que ser muito forte para suportar uma série de desafios e problemas. Estudos da pesquisadora Ellen Berscheid e seus colegas da Universidade de Minnesota mostram que quanto mais idealizamos a pessoa amada, mais forte é o relacionamento durante o estágio da união.
Psicólogos da Universidade do Texas, em Austin, também chegaram a essa conclusão. Eles descobriram que a idealização existe para manter as pessoas juntas e felizes em seus casamentos. "Geralmente a pessoa enxerga o parceiro através de um filtro, tornando-a melhor do que realmente é", diz Ted Hudson, que coordenou o estudo. "Pessoas que fazem isso tendem a permanecer em relacionamentos por mais tempo do que as que não fazem ou não conseguem fazer o mesmo".
As substâncias importantes nesta fase são a oxitocina, vasopressina e endorfina, que são liberadas quando fazemos sexo.

A química do amor

Existem várias substâncias químicas correndo em seu sangue e em seu cérebro quando você está apaixonado. Os pesquisadores estão descobrindo, aos poucos, o papel que esses elementos exercem quando nos apaixonamos e quando estamos em relações mais duradouras. É claro que o estrogênio e a testosterona agem na questão sexual. Sem eles, nunca poderíamos nos aventurar no mundo do "amor verdadeiro".
A tontura inicial que surge quando estamos nos apaixonando inclui um aceleramento do coração, rubor na pele e umidade nas mãos. Os pesquisadores afirmam que isso ocorre por causa da dopamina, norepinefrina e feniletilamina que eliminamos. A dopamina é considerada o "elemento químico do prazer", que produz a sensação de felicidade. A norepinefrina é semelhante à adrenalina e causa a aceleração do coração e a excitação. De acordo com Helen Fisher, antropóloga e pesquisadora do amor da Universidade Rutgers, estes dois elementos juntos causam elevação, energia intensa, falta de sono, paixão, perda de apetite e foco único. Ela também afirma que "O corpo humano lança o coquetel do êxtase do amor apenas quando encontramos certas condições e... os homens produzem esse coquetel com mais facilidade, por causa de sua natureza mais visual".

Os pesquisadores estão usando exames de ressonância magnética para analisar o cérebro das pessoas enquanto elas observam a fotografia de quem amam. Segundo Helen Fisher, famosa antropóloga e pesquisadora da Universidade Rutgers, o que eles vêem nessas imagens durante a fase "não-penso-em-outra-coisa" do amor - a fase da atração - é o direcionamento biológico de focar em uma única pessoa. As imagens mostraram um aumento no fluxo de sangue nas áreas do cérebro com altas concentrações de receptores de dopamina, substância associada aos estágios de euforia, paixão e vício. Os altos níveis de dopamina também estão associados à norepinefrina, que aumenta a atenção, memória de curto prazo, hiperatividade, falta de sono e comportamento orientado. Em outras palavras, casais nessa fase se concentram muito no relacionamento e deixam de lado todo o resto.
Outra possível explicação para o foco intenso e a idealização que ocorrem na fase da atração vem dos pesquisadores do University College, em Londres. Eles descobriram que as pessoas apaixonadas têm níveis mais baixos de serotonina e os circuitos nervosos associados à avaliação dos outros são reprimidos. Esses níveis mais baixos de serotonina são os mesmos encontrados em pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, o que pode ser a explicação da obsessão que os apaixonados têm por seus parceiros. Os pesquisadores estão usando exames de ressonância magnética para analisar o cérebro das pessoas enquanto elas observam a fotografia de quem amam. Segundo Helen Fisher, famosa antropóloga e pesquisadora da Universidade Rutgers, o que eles vêem nessas imagens durante a fase "não-penso-em-outra-coisa" do amor - a fase da atração - é o direcionamento biológico de focar em uma única pessoa. As imagens mostraram um aumento no fluxo de sangue nas áreas do cérebro com altas concentrações de receptores de dopamina, substância associada aos estágios de euforia, paixão e vício. Os altos níveis de dopamina também estão associados à norepinefrina, que aumenta a atenção, memória de curto prazo, hiperatividade, falta de sono e comportamento orientado. Em outras palavras, casais nessa fase se concentram muito no relacionamento e deixam de lado todo o resto.
Outra possível explicação para o foco intenso e a idealização que ocorrem na fase da atração vem dos pesquisadores do University College, em Londres. Eles descobriram que as pessoas apaixonadas têm níveis mais baixos de serotonina e os circuitos nervosos associados à avaliação dos outros são reprimidos. Esses níveis mais baixos de serotonina são os mesmos encontrados em pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, o que pode ser a explicação da obsessão que os apaixonados têm por seus parceiros.

União química
No amor romântico, quando duas pessoas fazem sexo, a oxitocina é liberada, o que ajuda a unir os parceiros. Segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, o hormônio oxitocina está "associado à habilidade de manter relacionamentos interpessoais e laços psicológicos saudáveis com outros indivíduos". Quando é eliminada durante o orgasmo, ela começa a criar um laço emocional: quanto mais sexo, mais forte o laço. A oxitocina também está ligada aos laços afetivos entre mãe e filho, nas contrações uterinas durante o parto e na "descida" do leite para amamentação.
Vasopressina, um hormônio antidiurético, é outra substância associada à formação de relacionamentos duradouros e monogâmicos. A Dra. Fisher acredita que a oxitocina e a vasopressina interferem nas reações químicas da dopamina e norepinefrina, o que pode explicar por que o amor romântico se apaga quando o relacionamento se fortalece.
Endorfinas, os analgésicos naturais, também são importantes nos relacionamentos duradouros. Elas produzem uma sensação de bem-estar, incluindo um sentimento de calma, paz e segurança. Assim como a dopamina e a norepinefrina, as endorfinas são eliminadas durante o sexo; elas também são liberadas durante o contato físico, exercícios físicos e outras atividades. De acordo com Michel Odent, do Primal Health Research Center, de Londres, as endorfinas induzem a uma "dependência semelhante à das drogas".


Viciados no amor
Algumas pessoas podem ser viciadas no "barato" do amor. Elas precisam da sensação da dopamina, norepinefrina e feniletilamina, tão parecida com a sensação gerada pelas anfetaminas. Como o corpo adquire uma certa tolerância a essas substâncias, é necessário cada vez mais para dar o "barato". Essas pessoas pulam de relação em relação, sempre em busca de mais.

Felizes para sempre?
E quando aquele sentimento de euforia vai embora? Segundo Ted Huston, da Universidade do Texas, a velocidade em que a paquera evolui geralmente determina o sucesso do relacionamento. O que eles descobriram é que quanto mais longo o tempo de paquera, mais forte será o relacionamento.
Os sentimentos de amor apaixonado acabam enfraquecendo com o passar do tempo. Estudos mostram que o amor apaixonado perde a força rapidamente e praticamente desaparece depois de 2 ou 3 anos. As substâncias responsáveis pelo sentimento de amor (adrenalina, dopamina, norepinefrina, feniletilamina, etc.) definham. De repente, seu parceiro começa a ter defeitos. Você fica se perguntando por que ele mudou. Na verdade, ele provavelmente não mudou nada; é você que agora consegue enxergá-lo racionalmente, sem o filtro dos hormônios do amor cego e apaixonado. Nessa fase, ou a relação é forte o suficiente para durar, ou termina.
Se o relacionamento prossegue, outros elementos químicos entram em cena. As endorfinas, por exemplo, ainda garantem a sensação de bem-estar e segurança. Além disso, a oxitocina ainda é eliminada quando você faz sexo, produzindo sentimentos de satisfação e união. A vasopressina também continua a agir.

Estamos sozinhos no amor?
Apenas 3% dos mamíferos, além da espécie humana, formam relacionamentos "familiares". O arganaz-das-pradarias é um desses animais. Este arganaz se une pela vida toda e prefere passar o tempo com seu parceiro ao invés de encontrar outros arganazes. Alguns chegam ao extremo de evitar arganazes do sexo oposto.
Quando eles têm uma ninhada, o casal trabalha junto para cuidar dos filhotes. Eles passam horas cuidando um do outro ou apenas juntos. Já foram realizados estudos para tentar determinar a diferença química que pode explicar por que o arganaz-das-pradarias forma essa relação monogâmica e vitalícia, enquanto seu parente próximo, o arganaz-das-montanhas, não.
Segundo estudos de Larry Young, pesquisador de relacionamentos sociais da Universidade Emory, o que acontece é que, quando o arganaz-das-pradarias escolhe um parceiro, assim como os humanos, elimina os hormônios oxitocina e vasopressina. Como o arganaz-das-pradarias tem os receptores necessários para esses hormônios localizados no cérebro, na região da recompensa e reforço, ele forma uma união com seu parceiro. Essa união acontece com determinado arganaz com base no cheiro, que é mais ou menos como uma impressão digital. Aumentando ainda mais o reforço, entra a dopamina, que é lançada no centro de recompensa do cérebro quando os parceiros fazem sexo, fazendo com que a experiência seja agradável e eles queiram repetí-la. E graças à oxitocina e à vasopressina, eles querem fazer sexo com aquele mesmo arganaz.
Como o arganaz-das-montanhas não tem os receptores para a oxitocina e vasopressina em seu cérebro, estas substâncias não têm efeito nenhum, e eles continuam trocando de parceiro a cada noite. Fora esses receptores, as duas espécies de arganaz são quase iguais.

Fonte: Lee Obringer. "HowStuffWorks - Como funciona o amor". Publicado em 12 de fevereiro de 2005 (atualizado em 27 de junho de 2008) http://pessoas.hsw.uol.com.br/amor9.htm (30 de julho de 2008)

*Lee Ann Obringer é redatora do HowStuffWorks (EUA) e Bacharel em Jornalismo/Propaganda com ênfase em Marketing pela Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Antes de se juntar à equipe do HowStuffWorks, Lee Ann trabalhou durante 13 anos com marketing, propaganda e comunicação corporativa. Além de escrever para o HowStuffWorks, trabalha como consultora e designer freelancer em comunicações e marketing.

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domingo, 20 de julho de 2008

Feliz Dia do Amigo!


Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de 7 chaves,
Dentro do coração,
assim falava a canção que na América ouvi,
mas quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir,
mas quem ficou, no pensamento voou,
com seu canto que o outro lembrou
E quem voou no pensamento ficou,
com a lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito,
mesmo que o tempo e a distância, digam não,
mesmo esquecendo a canção.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Pois, seja o que vier,
venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.

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Dia do Amigo


Celebrado mundialmente, o Dia Internacional da Amizade, ou Dia do Amigo, tem uma origem recente e curiosa. A data foi criada pelo dentista, professor e músico argentino Enrique Ernesto Febbraro durante o auge da corrida espacial da década de 1960 com o intuito de promover uma festa dedicada à amizade. Para a criação desta data, Febbraro inspirou-se na chegada do homem à lua no dia 20 de julho de 1969. Para ele, esta conquista não seria apenas uma vitória científica. Seria também uma oportunidade de fazer novas amizades, não só em outros locais do mundo, mas em outras partes do universo. O Dia do Amigo foi adotado primeiramente em Buenos Aires, na Argentina, com o Decreto nº 235/79. Depois de muitos esforços de Febbraro, os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram a data em 1985.
Atualmente, mais de 100 países abraçaram a idéia e comemoram o Dia Internacional da Amizade no dia 20 de julho e todo empenho rendeu a Febbraro indicações para o Prêmio Nobel da Paz.
Há muitos séculos, pensadores buscam ressaltar a amizade, desde Platão com o seu “Lísias”, ou “Sobre a Amizade”. Mas pouco se possui sobre o cultivo da amizade, sobre educar para a amizade. É falsa a idéia de que a amizade surge de maneira espontânea em todas as pessoas. Não basta ser animado e simpático para se ter muitos amigos.
Sócrates: “Era o que havia de mais importante e necessário para ele, desde a infância”.
Aristóteles: “A amizade é uma virtude, ou ao menos vem acompanhada de virtude e, além do mais, é o que há de mais necessário para a vida. Ninguém gostaria de viver sem amigos, mesmo que possuísse todos os demais bens”. Em “Ética a Nicômaco”, ele procura demonstrar que a realidade particular, diante dos ideais em comum, da admiração e do fascínio do que se faz, é um dos “detonadores” que desencadeiam amizade entre diferentes pessoas, de categorias profissionais e gerações.
Para Cícero: “Penso que deveria perguntar o que se pode dizer sobre a amizade aos que a praticam”.
William Shakespeare, sobre amizade à distância, escreveu: “Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende a construir as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida”.
Fonte: IBGE Teen

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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Reportagem sobre Depressão

16 de julho de 2008

Medicamento veterinário para combater a depressão


A quetamina, um antigo anestésico de uso veterinário, é considerada uma das grandes promessas no tratamento da depressão, embora seu mecanismo de ação no cérebro ainda seja mal compreendido. Um estudo recém-publicado nos Archives of General Psychiatry fornece novas evidências nessa área.

Usando imagens de ressonância magnética, pesquisadores da Universidade de Manchester, Reino Unido, observaram que a droga desativa neurônios do córtex orbitofrontal (na região acima dos olhos), associado a reações somáticas como taquicardia e desconforto estomacal e a sentimentos negativos como culpa e baixa auto-estima.

Embora satisfeitos com o resultado, os cientistas declararam estar surpresos, porque esperavam que a quetamina atuasse predominantemente nas áreas laterais do cérebro, onde a atividade do medicamento foi mínima. O trabalho confirmou evidências anteriores, segundo as quais a quetamina inibe a liberação do neurotransmissor glutamato. Essa, aliás, é a grande diferença do fármaco em relação a outros antidepressivos, que atuam basicamente nos receptores de serotonina. O entusiasmo dos pesquisadores se deve principalmente à ação rápida da droga, que tem início em até 24 horas após a administração. Os tratamentos convencionais podem levar semanas para surtir efeito.

Fonte: Revista Viver Mente & Cérebro //Julho-2008

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

ESQUIZOFRENIA

ESTE ESTUDO É PARTE DO ARTIGO ESCRITO POR:

Magda de Sá Nunes
Marcela Sevidanes Nogueira Barreto
Núccia Rogéria Gaigher Magalhães


No conjunto de doenças mentais graves, a esquizofrenia, provoca uma modificação profunda e duradoura na personalidade da pessoa com esquizofrenia. O conflito entre mundo real e o fictício gera comportamentos que simplesmente impossibilita o portador de exercer controle sobre tais, causando grande sofrimento para o sofredor mental e todos os envolvidos neste contexto.

Esquizofrenia é uma severa doença multifatorial com complexos sintomas que alteram a estrutura vivencial daquele indivíduo que sofre com este problema, por afetar as emoções, o pensamentos, as percepções e o comportamento, causando prejuízos ocupacionais na relação interpessoal e familiar. A esquizofrenia é uma doença complexa cuja etiologia e cura ainda não são conhecidas. Culturalmente a pessoa que sofre de esquizofrenia surge com o perfil estereotipado do “louco”, um indivíduo que rompeu com as concepções acerca da realidade/normalidade, passando por uma fase de retração social (interpessoal), vivendo o seu “universo paralelo” menosprezando a razão e tornando-se prisioneiro de suas fantasias num mundo fictício.
O surto psicótico refere-se ao momento de perturbação mental que provoca no sofredor mental o rompimento com a realidade, interferindo no processo cognitivo, emocional e social. O surto psicótico manifesta-se com alucinações, delírios e estados de consciência alterados, provocando grande confusão mental e comportamentos agressivos ou inadequados por não haver conexão entre pensamento e emoção. O declínio psicossocial surge como conseqüência quase inevitável após o surto e o paciente tende a uma retração interpessoal cada vez maior.
A esta severa doença o médico e psiquiatra alemão, Emil Kraepelin em 1893 denominou dementia praecox na 4ª edição de seu Tratado de Psiquiatria, diferenciando os pacientes com demência precoce daqueles atingidos pela psicose maníaco depressiva. Segundo Holmes (1997), a demência precoce seria a deterioração intelectual progressiva e irreversível de início precoce.
Em 1908 Eugen Bleuler, psiquiatra suíço, propõe nova forma de entendimento desta doença e em 1911 publica em seu livro o aperfeiçoamento deste conceito substituindo demência precoce pelo termo esquizofrenia (grego schizein: separar; phren: mente, ânimo) que significa cisão da mente, dos pensamentos e sentimentos, comprometendo o comportamento sem ocorrer necessariamente a degradação mental irrecuperável (HOLMES, 1997).

Os conceitos de Kraepelin e Bleuler serviram de base para novas pesquisas, investigações e conseqüente expansão dos conceitos deste transtorno mental com descrição mais elaborada dos sintomas. David Holmes (1997) coloca que ambos acreditavam que o transtorno tinha uma base fisiológica, porém Bleuler também acreditava que os sintomas poderiam ser influenciados por uma base psicológica: "Experiências e eventos psíquicos podem liberar os sintomas, mas não a doença.”

O DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, edição revisada) define a Esquizofrenia como uma perturbação que dura pelo menos 6 (seis) meses e inclui pelo menos 1 (um) mês de sintomas da fase ativa (isto é, dois ou mais dos seguintes: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento amplamente desorganizado ou catatônico, sintomas negativos).

De acordo, com a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento (CID 10), “os transtornos esquizofrênicos, são caracterizados em geral, por distorções do pensamento e da percepção”.

Usualmente, o indivíduo com esquizofrenia mantém clara sua consciência e sua capacidade intelectual. A porta de entrada na psicose esquizofrênica é constituída por uma organização caracterial da personalidade, na qual já se adivinham os traços que, ao se agravarem, se tornarão “esquizofrênicos”.
A acentuação das posições de inibição e de rigidez do caráter esquizofrênico conduz a uma série de modificações intra e interpessoais. É antes de tudo, o debilitamento da atividade, que se caracteriza pela “perda de rapidez” do aluno que era bom, seu desinteresse, a incúria, o abandono do trabalho ou as trocas repetidas de emprego. É também a modificação da afetividade. O indivíduo retrai sobre si mesmo, parece indiferente e desatento às alegrias e às tristezas. A hostilidade contra a família é constante. As modificações de caráter chocam o ambiente, pela mudança de um indivíduo que, até então, era taciturno e passivo, e que passa a afirmar sua agressividade opondo-se a tudo e a todos. A família tem então papel importante no processo de reabilitação e reintegração social do portador de esquizofrenia; a principal rede de apoio do portador são família e amigos.

As pessoas que vivem um significativo espaço de tempo durante um estado patológico de ansiedade, podem vir a desenvolver uma patologia muito conhecida da atualidade, que é o "estresse". Segundo Holmes (1997), a resposta de estresse tem dois componentes, um psicológico e outro fisiológico; o primeiro envolve emoções como ansiedade e tensão o segundo envolve mudanças corporais como freqüência cardíaca aumentada, pressão sangüínea e tensão muscular que preparam o indivíduo para uma ação física – lutar ou fugir.
O estresse não provoca a esquizofrenia, mas pode antecipar sua manifestação ou agravar seus sintomas. A intervenção da família do portador pode ajudar a reduzir o impacto dos elementos estressores que costumam servir como desencadeadores de recaídas.
Araújo (1999) citado por EY et al. (1999), afirma que ao eleger o trabalho como categoria analítica, compreende-se o trabalho como sofrimento e de adoecimento mental, tanto quanto outras esferas de construção do sujeito com a infância, ou a família. Desta forma, compreende-se que a vida dos homens embora não se reduza ao trabalho, também não pode ser compreendida na sua ausência.

Segundo Silva Filho (1993) citado por EY et al. (1999), “o trabalho, portanto, comporta relações de identificação, na medida em que se inscrevem marcas na imagem de si e do mundo, que são internalizadas como pertencentes àquele sujeito.”

Zanetti (2007) citado por EY et al. (1999), afirma que cada grupo social define a esquizofrenia de acordo com seus conhecimentos, crenças e ações específicas. A família tem um lugar e uma função central na vida dos portadores de esquizofrenia. A confirmação do diagnóstico e o início da doença constituem alguns dos fatores que geram inúmeras mudanças no contexto familiar. Durante o surto psicótico, é completamente impossível pensar racionalmente. O indivíduo não consegue estabelecer premissas válidas, nem encadear logicamente o raciocínio. Parte de idéias absurdas e chega a conclusões igualmente absurdas, por um caminho confuso e irracional.

O modo como à família interpreta a doença mental de um dos seus membros influencia as práticas de cuidado por ela adotado, e o sucesso na reabilitação depende das relações estabelecidas entre aquele que cuida e o que é cuidado. A esquizofrenia é vista como uma doença, na qual um ambiente familiar não favorável pode colaborar para o seu início ou a recidiva.
Quando a família descobre qual é a enfermidade, em geral lhe falta saber seu significado para ter noção do que de fato está ocorrendo. Ela não tem informação sobre o que sejam as psicoses e resiste em acreditar que este seja o problema enfrentado pelo paciente. Surgem os estereótipos e muitas dúvidas sobre a possibilidade e as formas de controlar a situação e também a respeito de qual seja o tratamento mais adequado.
Este indivíduo que sofre pode estar perfeitamente adaptado, continuar respondendo todas as expectativas sociais e cumprir todas as suas responsabilidades. Ao mesmo tempo, pode-se encontrar um outro indivíduo que, mesmo sendo considerado socialmente desadaptado, excêntrico, diferente, não vivencia neste momento de sua vida, nenhum sofrimento ou mal-estar relevante. O indivíduo consegue lidar com suas aflições intensas encontrando modos de produção que canalizam este mal-estar de forma produtiva e criativa.
Assim, embora o sofrimento psicológico possa levar a desadaptação social e esta possa determinar uma ordem de distúrbio psíquico, não se pode sempre, estabelecer uma relação de causa e efeito entre ambos. O indivíduo irá necessitar do apoio do grupo, no sentido de suporte e facilitação da compreensão dos conteúdos internos que lhe causam o transtorno, o que poderá levá-lo a uma reorganização pessoal quanto a valores, projetos de vida, aprender a conviver com perdas, frustrações e a descobrir outras fontes de gratificação na sua relação com o mundo.


Percebe-se há muito trabalho a ser realizado na área da Saúde Mental. Que ainda precisam ser quebrados muitos paradigmas com relação ao portador de sofrimento mental. Os sintomas característicos de Esquizofrenia envolvem uma faixa de disfunções cognitivas e emocionais que acometem a percepção, o pensamento, a linguagem e a comunicação, o afeto, a fluência e a produtividade do pensamento e do discurso. A Esquizofrenia traz ao paciente um prejuízo tão severo que é capaz de interferir amplamente na capacidade de atender às exigências da vida e da realidade. A compreensão do mundo paralelo em que os portadores mergulham profundamente requer muita paciência de dedicação. Para aquele que tem a esquizofrenia, a aceitação da doença é o primeiro passo para tentar viver uma vida normal.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

· CAETANO, Dorgival. Classificação dos Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. p.88-34.


· HOLMES, David S. Psicologia dos Transtornos Mentais. 2ª ed. Porto Alegre: ARTMED S.A., 2001.

· EY, Henry; BERNARD, P.; BRISSET, C. Manual de Psiquiatria. Paris: Masson Editeur, 1999.

· SCAZUFCA, M. Abordagem Familiar em Esquizofrenia. Revista Brasileira de Psiquiatria; [s. l.], [s. n], 2000; 22(1): 1-50.

· ANGERAMI, Valdemar Augusto; CAMON. Psicologia da Saúde. São Paulo: Pioneira, 2000.

· GAIARSA. José Ângelo. A família de que se fala e a família de que se sofre: O livro negro da família, do amor e do sexo. São Paulo: Agora, 1986.

· www.geocities.com/mentalAcesso em 21/06 as 14:30 h.


· http://www.psiqweb.com.br/Acesso em 22/06 as 09:30 h.

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O bom filho à casa volta...


Pois é gente, a faculdade apertou muito e isso motivou minha ausência neste espaço, mas agora de férias vou tentar compensar esta ausência.

Obrigada aos fiéis visitantes pelas mensagens e por continuarem a passar por aqui.

Estou de volta!!!!

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